sexta-feira, 12 de junho de 2009

Aos que amam...





Hoje é comemorado o Dia dos Namorados. No Brasil, o fundamento talvez seja a véspera do Dia de Santo Antônio, casamenteiro, segundo as tradições. Diz uma amiga minha que o santo casamenteiro, na verdade, seria São José, Pai de Jesus, cabeça da Sagrada Família. Se isso for verdade (a boa e velha "verdade"), deve ter muita gente rezando para o santo errado...
De toda forma, o Dia dos Namorados acaba respondendo a certo apelo comercial. Na televisão, nas vitrines, em todos os lugares, não se deixa de romantizar a data. Mas há uma regra que não falha (Popper não gostaria de ouvir uma afirmação dessa natureza...): homens não se lembram e as mulheres não se esquecem dos presentinhos do Dia dos Namorados.
Se a concepção filosófica do amor celebrado nesta data não fosse restrita ao sentido eros, mas, ao contrário, ampliada ao amor philia, o dia 12 de junho teria um significado mais amplo: AMIZADE. Assim, seria minimizada a compulsoriedade do amor eros, típica da modernidade que transformou tudo em mercadoria, inclusive o amor.
Para o dia de hoje, compartilho com meus leitores uma poesia de Cora Coralina (foto acima) que trata do amor pela vida. É preciso, sim, enamorar-se pela vida, cultivá-la, recriá-la a cada dia. Não adianta criar regras para o amor. A regra, nesse caso, é não ter regras.



CORA CORALINA

Não te deixes destruir...

Juntando novas pedras e construindo novos poemas.

Recria tua vida, sempre, sempre.

Remove pedras e planta roseiras e faz doces.

Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha um poema.
E viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

A tal regra do impedimento

Jogo BRASIL X PARAGUAI

Eu: Como é mesmo a tal regra do impedimento?
M: Eu já te expliquei várias vezes...
Eu: Eu sei, mas é que eu não assimilei bem...
M: O jogador está impedido quando, numa jogada, etc etc etc. Entendeu?
Eu: Agora entendi!
M: Então me explique o que é o impedimento.
Eu: Hã?
No carro
Eu: O cara do posto de gasolina disse que o óleo do meu carro está baixo. Você confere para mim?
M: Sim. E aproveito para te ensinar como se verifica o óleo.
Eu: Tá!
(...)
M: Aprendeu como se verifica o nível do óleo?
Eu: Sim... É mais fácil que a regra do impedimento!!!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Ufal em defesa da vida - Terceiro Ato


Estão abertas as inscrições para o Terceiro Ato do programa Ufal em defesa da vida. Desta vez serão conferências livres, organizadas pelo Núcleo de Estudos sobre a Violência em Alagoas - NEVIAL, que apontarão propostas para a 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, que acontecerá em Brasília, entre os dias 27 e 30 de agosto deste ano.

Esta será mais uma oportunidade para que discentes, docentes, técnicos da Ufal e todos os interessados da sociedade civil participem ativamente nas discussões que envolvem políticas concretas de valorização de vida, da inclusão social e da cidadania. As atividades do Terceiro Ato acontecerão no dia 25/06 (manhã e tarde).

Mais informações, Texto-base e ficha de inscrição AQUI.

domingo, 7 de junho de 2009

Crônica de Sofia

Nesta cinzenta (e bela) manhã de domingo, trago aqui um escrito de Sofia, querida ex-aluna do curso de Direito da UFAL (minha monitora de Filosofia do Direito), talentosa escritora de contos e crônicas. Sofia gentilmente cedeu este texto (pra lá de existencialista...) para que eu o publicasse aqui. Bom domingo!
DESAPEGO
São desapegos disfarçados de palavras que destroem os detalhes, as partes do todo que por vezes não se sentem juntas, não se sentem unas.
Desapegos projetados em futuro não são planos, são esperanças estranhas que contrariam o sentido de prever o que ainda vem.
São distâncias, de fato, conservadas pelo limite do diálogo e pela indiferença da resposta. O momento que fora soberano e que no presente, encontra-se dividido em mil pedaços importantes, roubando, assim, a totalidade do agora.
Desapego não se junta com o quente, na verdade, desapego é frio, sem incômodos nem reclamações, porque, afinal, nunca se aproxima, nunca se atinge.
Talvez seja uma forma de olhar mais pra dentro e esquecer o que circunda a volta. É, quem sabe seja isso, só não diga que é cansaço, porque não é fadiga, é ausência de vontade, é desapego e só.
Madalena Sofia
18.05.09

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Um mundo melhor?

Hoje é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente. De todas as mensagens que recebi sobre o tema, esta foi a que mais me sensibilizou:

"Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"
Vamos pensar nisso...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

A crueldade da dúvida







O misterioso desaparecimento do Airbus A330, da Air France, no Oceano Atlântico é a principal notícia da semana em todos os meios de comunicação de massa. As buscas continuam, aparecem os primeiros prováveis destroços, mas até agora ninguém pode afirmar, categoricamente, que aqueles destroços são do avião desaparecido. O local do suposto acidente torna a situação ainda mais delicada: no meio de águas profundas, com correntes marítimas fortíssimas e, ainda, com a possibilidade de que o avião tenha afundado. O governo francês admitiu, logo no segundo dia, que não havia esperanças de encontrar sobreviventes. No entanto, como não foi resgatado um corpo sequer, não se pode, ainda, afirmar a morte dessas pessoas. Uma tragédia, de fato.

Fico a pensar na situação dos familiares dos passageiros diante dessa dúvida. Ontem, os jornais noticiaram que os familiares brasileiros foram comunicados da chegada de um bote salva-vidas com prováveis sobreviventes na ilha de Fernando de Noronha. Comoção total, abraços, lágrimas... Alarme falso. Não havia botes, não havia sobreviventes. Frustração, desespero e dor. E se os corpos jamais forem encontrados? Como assimilar essas perdas? Será que viverão sempre na esperança de que seus familiares estejam perdidos em algum lugar no vasto Oceano Atlântico?


Essa situação me lembrou o filme A troca, protagonizado por Angelina Jolie. (Advinha quem é o diretor? Isso mesmo: Clint Eastwood!) No filme, a mãe busca desesperadamente seu filho desaparecido. A polícia apresenta uma criança, afirmando ser o filho desaparecido, mas a Mãe sabe que aquele não é o seu filho. Não vou contar detalhes da trama, mas enfatizo aqui a crueldade da dúvida. Mesmo quando as circunstâncias levam a crer que a pessoa desaparecida já está morta, há sempre um pouco de esperança de que, a qualquer momento, ela possa retornar.
Lembro desse filme quando vejo notícias sobre o desaparecimento do avião da Air France. Se é trágico perder parentes e amigos queridos em um acidente aéreo, mais cruel ainda deve ser não ter certeza da morte. Como será o luto para essas pessoas? Cessará um dia? Gostaria de ouvir a opinião das minhas amigas psicanalistas sobre isso...



terça-feira, 2 de junho de 2009

Sobre dons e aptidões no Direito

O contato cotidiano com alunos de graduação, formandos e recém-formados, da área jurídica, tem sido muito enriquecedora na minha vida, por uma série de fatores. Quem vive o cotidiano da Academia e se encanta com a pluralidade de olhares e possibilidades na produção do conhecimento sabe do que estou falando.
No entanto, ao mesmo tempo em que tenho visto muitas pessoas interessantes, engajadas em projetos voltados para o social e compromissadas com a ética e a justiça, deparo-me com estudantes que têm uma única perspectiva na vida: passar em um concurso, qualquer que seja! Dons, aptidões, afinidades, para eles, são cartas fora do baralho. O que importa é a estabilidade financeira. Absurdamente, essas pessoas se autodenominam CONCURSEIROS!
Em que pese ser a estabilidade um fator importante, sobretudo no panorama econômico de hoje, penso que não pode ser ela a centralidade das escolhas profissionais no campo do Direito. Quando isso acontece, o resultado é uma legião de frustrados, com estabilidade e dinheiro no bolso. Ainda assim, FRUSTRADOS.
As profissões jurídicas são muito diferentes. Atuar na magistratura, no Ministério Público ou na Defensoria Pública, só para citar esses, significa estar diantes de formas distintas de contato com a prática jurídica. Como ser Defensor Público, por exemplo, quando não se tem qualquer vocação e tato para lidar com pessoas humildes? Como ser juiz, se não consegue lidar com suas paixões diante de uma decisão que, em tese, deve ser imparcial? Eu poderia fazer uma série de perguntas dessa natureza, mas penso que esses exemplos são suficientes para ilustrar o que percebo hoje em dia. A procura por concursos (qualquer um!) é tão presente no cotidiano dos estudantes, que algumas faculdades chegam a elaborar avaliações e provas de acordo com as tendências dos concursos. Ao invés de formar juristas, essas faculdades formam concurseiros.
Não estou negando a importância dos concursos públicos. Ao contrário, penso que para aqueles que não se identificam com a advocacia (tão vocacionada quanto o magistério na área jurídica, na minha opinião) é natural a busca por um emprego público. O que questiono, aqui, é a ausência de qualquer afinidade dos futuros profissionais com os cargos que ocuparão. Não vejo uma preocupação em construir uma relação de identidade com o papel que desempenharão na imensa rede de profissões jurídicas. A ausência dessa identidade acarreta no panorama que temos hoje: profissionais tecnicamente preparados, mas pouco compromissados com a essência do cargo que ocupam. São concursados, mas não são profissionais, pois não trazem consigo a consciência do seu papel social.
Entendo que a escolha de uma profissão é parte essencial na vida de uma pessoa. É tão importante quanto a realização pessoal. Tudo isso, porém, não tem regras. Cada um sabe a medida da sua felicidade. Por isso, é preciso encantar-se com a profissão que se busca, conhecê-la bem e, se for o caso, estabelecer uma verdadeira aliança com ela. Parece um casamento, não? É mais ou menos isso: pode até haver o divórcio mais adiante, mas casa-se com o desejo de que dure para sempre.