sexta-feira, 26 de junho de 2009

Luto no mundo POP



Ele não estava no rol dos meus artistas preferidos, mas fez parte da minha infância e adolescência. Lembro que meu irmão tinha os discos de vinil mais famosos, que sempre estavam presentes nas nossas festinhas de aniversário. Aprendi logo a cantarolar músicas como Thriller e Beat it, Moonwalker. Recordo, inclusive, do medo que eu sentia quando assistia o clip de Thriller, com aquelas figuras estranhas que mais lembravam o filme A volta dos mortos vivos. Eu devia ter uns 8 ou 9 anos. Das baladas com apelo social, as que eu mais gostava eram We are the world (que compôs junto com Lionel Richie) e Heal the world.
A vida cheia de excentrecidades fez de Michael Jackson uma lenda viva. Mudanças na cor da pele, inúmeras plásticas no rosto e envolvimentos em escândalos de pedofilia impediram que ele saísse de cena, mesmo quando a carreira artística não estava no auge. O garoto que, tal qual Peter Pan, não queria crescer, era sempre notícia. A morte súbita e inesperada fez dele uma lenda para as próximas gerações. Foi, de fato, o maior artista pop de todos os tempos. Lamento a morte dele.
Deixo aqui a lembrança do clip de Heal the world, um convite para curar o mundo.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Heróis anônimos

23h do dia 24 de junho. Estou na frente do computador, trabalhando. Ouço gritos vindos da rua e imediatamente olho pela janela, do alto do meu quarto andar. Vejo, então, um corpo estendido no chão e uma mulher gritando e gesticulando desesperadamente. Jamais vi alguém tão desesperado. Fico tensa e corro para o telefone. 193 é o número que me vem à lembrança. Não sei se é Corpo de Bombeiros ou SAMU, só sei que é SOCORRO. Disco nervosamente e do outro lado da linha escuto um “clique”. Alguém atendeu, penso. Minha ansiedade me fez dizer “alô” antes da voz feminina que me responde calmamente com um “Corpo de Bombeiros, pois não”. Narro para ela o que vejo de minha varanda e peço ajuda, indicando o local exato do ocorrido. Na verdade, não sei se foi um acidente ou se foram tiros, facadas ou qualquer coisa. Só sei que tem um corpo estendido no chão. Ela me pergunta se o corpo se mexe. Minha miopia não me deixa ver com precisão. Os gritos da mulher desesperada continuam. Sinto minhas pernas tremerem e afirmo para a minha interlocutora que tenho a impressão de que está inerte. Ela registra a ocorrência. Desligo o telefone sem me lembrar das últimas palavras dela. Será que ela acreditou em mim? Afinal, são tantos trotes que eles recebem...

Volto para a varanda e começo a rezar para que o socorro chegue logo. Os gritos desesperados continuam e começa a juntar gente no local. Chega uma viatura da Polícia. Não sei se é Civil ou Militar. Minha miopia, mais uma vez, me confunde. Mas ver a viatura já é um alívio. Começa uma pequena confusão ao redor do corpo estendido e ouço mais gritos da mulher desesperada. “Ele está sangrando!!!”, diz ela. Os policiais levam um homem sem camisa em direção à viatura. Por que terá sido preso? Um binóculo me ajuda a ver melhor, mas não perfeitamente. Vejo também que o homem estendido no chão mexe as pernas. Sinto um certo alívio, mas me pergunto: cadê os Bombeiros??? Nesses momentos, minutos são horas...
23:10h, toca o telefone da minha casa. “Foi daí que fizeram um pedido de socorro?”, questiona a mesma voz feminina. Eu respondo com pressa: SIM. Informo que tem um carro da Polícia no local e que o corpo continua estendido no chão. Ela pergunta meu nome, agradece e diz que o socorro está a caminho. Mais 10 minutos e escuto uma sirene. Alívio: ela acreditou em mim. Primeiro eles avaliam a cena e os feridos. Começam, então, os procedimentos de socorro. Uma mulher é levada para a ambulância dos Bombeiros. Caminha com dificuldade, mas caminha. Nada grave, penso. Mais alguns minutos, chega a SAMU. Alguém deve ter chamado. Eram três feridos, na verdade. A miopia é fogo. Nem binóculo dá jeito.
Começo a ficar mais calma e não perco um detalhe da operação. Vejo o zelo com que os profissionais do Corpo de Bombeiros e do SAMU tratam os feridos e fico emocionada. Tudo é sincronizado. Serviço de qualidade, raro no serviço público. Lembro que um aluno meu atua nesse serviço dos Bombeiros e me questiono: estará ali, socorrendo mais essas vítimas? O homem estendido no chão é imobilizado e levado para a ambulância. Mais alívio para mim. Ele não vai morrer, penso. Em cerca de meia hora os feridos são atendidos e as ambulâncias seguem com suas sirenes ligadas, certamente em direção ao Hospital Geral. O pequeno aglomerado de pessoas aos poucos se desfaz e uma chuva fina começa a cair. Respiro fundo. Acabou. O carro da polícia permanece no meio da rua, com as luzes piscando. Continuo sem saber o que aconteceu ali, mas isso já não importa. Afinal, o socorro chegou.
Sinto-me aliviada por ter proporcionado, ainda que indiretamente, aquele socorro. Pode parecer pretensioso, mas, não sei porque, tenho a convicção de que testemunhar os gritos daquela mulher e ver o corpo estendido no chão antes que outras pessoas o vissem tornou-me responsável por aquelas vidas.
Penso nos profissionais que passam suas madrugadas e seus dias socorrendo pessoas feridas e sinto orgulho deles. Tenho convicção de que são heróis anônimos, escondidos atrás das fardas. São mulheres e homens vocacionados para o socorro, prontos para o próximo desafio. Corajosos como poucos. Volto ao telefone e disco novamente 193. Gostaria de agradecer por terem atendido ao meu pedido e de dizer para eles o quanto admiro o trabalho que desenvolvem. A linha está ocupada. Tento novamente: ocupada. Deve ser outra ocorrência a caminho. Não vou ocupar a linha, penso.
A inquietação não me deixa sossegar. Dormir agora? Impossível. Resolvo escrever estas linhas, registrar o que vivenciei. Fato corriqueiro para alguns, cidadania para mim e para aquelas vítimas. Agora já são 01:18h do dia 25/06. Vou dormir, pois o cansaço me vence, mas sinto que sou um pouco mais cidadã que antes. E isso fica marcado na minha história.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Artigo sobre UFAL em defesa da vida

Transcrevo aqui artigo que escrevi em parceria com minha amiga Ruth Vasconcelos, idealizadora do Programa UFAL em defesa da vida. O artigo foi publicado no jornal Gazeta de Alagoas de ontem (http://gazetaweb.globo.com/v2/gazetadealagoas/texto_completo.php?cod=148586&ass=37&data=2009-06-21)
UFAL em defesa da vida
Ruth Vasconcelos e Elaine Pimentel
O desejo de vivermos em uma sociedade com índices toleráveis de criminalidade coloca a segurança pública em pauta em vários segmentos sociais. Seja no espaço acadêmico ou nas comunidades – notadamente com a iniciativa da CNBB através da Campanha da Fraternidade deste ano – debates sobre violência e criminalidade revelam quão delicada e urgente é a questão.A universidade pública, espaço fértil para a troca de saberes comprometidos com a transformação da realidade social, tem um papel fundamental na difusão de políticas cidadãs que primam pelo diálogo entre o poder público e a sociedade civil.
Atendendo à convocação do Ministério da Justiça, a Ufal, através do Programa “Ufal em defesa da vida” e do Núcleo de Estudos sobre a Violência em Alagoas – Nevial, realizará, no dia 25 de junho, das 8 às 18 horas, no auditório da Reitoria, uma Conferência Livre, preparação para a 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, que ocorrerá em Brasília em agosto próximo. Este é um momento ímpar em nossa história, pois pela primeira vez a sociedade civil tem a oportunidade de lançar propostas para a formulação do Plano Nacional de Segurança Pública. Estamos reunindo esforços para que este seja um momento de rica discussão entre estudantes, professores, funcionários da Ufal e membros da sociedade civil.
Precisamos compreender que o exercício da democracia não se dá apenas através do voto. O diálogo com o poder público é também uma importante forma se fazer presente nas estruturas políticas do Estado, contribuindo para a transformação da realidade em que vivemos.

domingo, 21 de junho de 2009

Poesia de Drummond para o domingo

No meio do caminho
(Carlos Drummond de Andrade)

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Debatendo crime e sistema penitenciário


Hoje pela manhã participei de uma atividade acadêmica muito interessante. A convite de alunas do curso de Serviço Social e Psicologia que fazem estágio no Escritório Modelo da Faculdade de Direito da UFAL, levei algumas reflexões sobre os desafios para a pesquisa na área criminal. Dividi o espaço de debates com o psicólogo Nilo, que atua há mais de 20 anos no sistema penitenciário alagoano. A sua vasta experiência da clínica psicológica no cárcere contribuiu para uma abordagem muito lúcida sobre o tema.
Mais uma vez tive o privilégio de estar diante de pessoas que compatilham os mesmos interesses acadêmicos e profissionais, com o compromisso de levar adiante o debate e de contribuir para a criação de uma cultura de valorização da dignidade humana.
Afirmar que o sistema penitenciário está falido não é novidade. Aliás, isso é pacífico no senso comum. Não há quem afirme com segurança que o modelo que temos hoje, aliado à realidade política com a qual contracenamos, possa garantir que pessoas que passaram pelo cárcere retornem ao convívio social de forma salutar. Lamentavelmente, o panorama do sistema penitenciário, no Brasil, sobretudo hoje, com o aumento dos índices de criminalidade, transfigura-se em verdadeiro depósito de seres humanos que compõem a grande massa de excluídos. O que fazer? A resposta não é simples. Mas pelo menos vejo, como uma "luz no fim do túnel", uma mudança no discurso e nas iniciativas de natureza política. Antes, a importação do modelo norte-americano "tolerância zero" era a tônica das políticas de segurança pública. Hoje, já se fala em inclusão pela cidadania como a saída - a longo prazo - mais adequada. Contribuindo para formar cidadãos, a sociedade civil e o Estado certamente previnirão o crime com mais eficácia. Assim, não precisaremos mais de tantas prisões.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Ainda sobre os Cursos de Inverno da UFAL

Muitas pessoas me pediram mais informações sobre os Cursos de Inverno da UFAL. Lá vai:
- Qualquer pessoa pode matricular-se nos cursos (independente de ser aluno da UFAL).
- Os cursos são GRATUITOS!!!
- Os cursos têm carga horária de 20 ou 40 horas, o que corresponde a cursos de 1 ou 2 semanas.
- As inscrições só podem ser feitas pessoalmente, na PROEX.
- As vagas são limitadas. Portanto, interessados, inscrevam-se!

sábado, 13 de junho de 2009

Cursos de Inverno na UFAL

As férias do meio do ano podem ser bem agitadas na Ufal. A partir de segunda-feira, dia 15/06, estarão abertas as inscrições para os Cursos de Inverno. Transcrevo aqui as informações publicadas pela Pró-Reitoria de Extensão - PROEX:
"Depois do grande êxito dos Cursos de Verão, a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de Alagoas, apresenta os Cursos de Inverno. Uma série de atividades que pretende movimentar o Campus A. C. Simões e o Espaço Cultural Salomão de Barros Lima no período de 13 a 24 de julho de 2009.

Segundo o coordenador de extensão da Ufal, José Roberto Santos, a ação faz parte do planejamento anual de tarefas desenvolvidas pela Proex. “São cursos de grande demanda social e uma oportunidade para acadêmicos e comunidade em geral integrarem-se, formando uma excelente troca de saberes”, afirmou.

O número de cursos oferecidos aumentou em relação ao projeto anterior. Agora são 1340 vagas distribuídas em 25 cursos. São eles: Maquete eletrônica Sketchup ; Cuidadores de criança; Web Design; Br Office 3.0 (Editor de Texto, Planilha e Apresentação); Internet e Informática Básica com Ferramentas Livres; Geoprocessamento Terra View; Economia para não economista; Economia Popular; Empreendedorismo; Filosofia Latino- Americana; Desenho a mão livre; Educação em Direitos Humanos; Acessibilidade e Cidadania; Introdução ao Violão Clássico; Elaboração de Projetos Culturais; Disseminadores da Cidadania; Dança Contemporânea; Um Olhar Filosófico Sobre o Meio Ambiente; Introdução ao Paisagismo; Introdução à Redação; Introdução à Língua Inglesa; Orçamento Familiar; Gerenciamento de Resíduos com oficina de fabricação de Sabão e Básico de Fotografia.

As inscrições estarão abertas a partir de segunda-feira (15), na secretaria da Pró-Reitoria de Extensão da Ufal, localizada no prédio da Reitoria, no campus A. C. Simões e só poderão ser feitas de forma presencial. Serão emitidos certificados para carga horária flexível. Mais informações pelo número: 3214-1134".