quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Contagem regressiva para a Bienal!!!


Começa amanhã, dia 30 de outubro, a IV Bienal Internacional do Livro em Alagoas! Serão muitas editoras e livrarias que colocarão à nossa disposição obras das mais variadas áreas, além de palestras, leitura para a criançada, bate-papo com autoras e autores e muito mais. Enfim, 10 dias de muita integração cultural na nossa Maceió, tão carente de boas livrarias e espaços literários. Na página da UFAL há informações importantes sobre a estrutura da Bienal, que cresce a cada edição. A programação pode ser encontrada no site da própria Bienal. Eu também lançarei livro no evento. Em breve colocarei os detalhes sobre a obra e o lançamento aqui no blog. Por enquanto, fico apenas na contagem regressiva...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Protegendo a intimidade e a dignidade da pessoa humana

Penso que decisões judiciais como esta, abaixo, merecem ampla divulgação. Valores como intimidade e dignidade humana não são negociáveis, sobretudo em uma sociedade que desconfia de tudo e de todos.

Acordo judicial põe fim à revista íntima no Aldebaran

O juiz da 7ª Vara do Trabalho de Maceió, Alan Esteves, homologou o acordo firmado entre o Ministério Público do Trabalho (MPT) em Alagoas e o Aldebaran Beta, no qual o condomínio está obrigado a não mais realizar revista nos pertences dos trabalhadores que transitam pela portaria do local. Com a conciliação, extingue-se a ação civil pública de nº 988/2009 e se garante o respeito à intimidade e à dignidade dos empregados, que não mais passarão por aquela situação vexatória.

Também ficou determinado que o condomínio pagará indenização no valor de 5 mil reais, reversível ao Fundo de Amparo ao Trabalho (FAT).

Liminar

Em setembro passado, o magistrado havia concedido liminar, atendendo ao pedido do MPT, proibindo a prática de revista íntima no condomínio. Alan Esteves considerou que a revista íntima constrangia os trabalhadores, de forma a afrontar a intimidade e a dignidade da pessoa humana.

sábado, 24 de outubro de 2009

Conselho Penitenciário de Alagoas - 80 anos

Na quinta-feira passada deixei meu exílio temporário para participar da solenidade de comemoração dos 80 anos do Conselho Penitenciário do Estado de Alagoas, no Tribunal de Justiça. Ali estavam reunidos muitos dos ex-conselheiros que, como eu, foram convidados para receber uma comenda comemorativa. Em seu discurso, o atual presidente do Conselho, o promotor aposentado Franciso José Torres, falou sobre a história do Conselho Penitenciário de Alagoas, com base no trabalho de compilação e digitalização das atas de todas as sessões ocorridas desde a criação do Conselho, em 1926. Esse exaustivo trabalho foi feito por ele, pessoalmente, ao longo de alguns anos. Ali estão registrados importantes fatos históricos relacionados à criminalidade, às polícias e às prisões do Estado de Alagoas. Foi realmente uma aula de história, permeada por dados e fatos curiosos, a exemplo da função de guardador de chaves da prisão que foi dada ao assassino do industrial Delmiro Gouveia e da origem do nome do maior presídio de Alagoas, Baldomero Cavalcanti de Oliveira, homenagem a um presidiário que muito colaborou com o Conselho. Todo esse resgate histórico está disponível no site do Conselho Penitenciário de Alagoas (http://www.conselhopenitenciario.al.gov.br/), que foi lançado na mesma solenidade. Vale a pena dar uma passadinha no site e conhecer um pouco do Conselho Penitenciário, órgão da execução penal ainda pouco conhecido, mas de grande importância para o sistema penitenciário do nosso Estado.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Cine Sesi - Cinema de graça!


Recebi hoje a programação da 4ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos da América do Sul, que acontecerá entre os dias 26/10 e 01/11, no Cine SESI Pajuçara. A entrada é franca, mas as vagas são limitadas, já que na sala existem apenas 163 lugares. Acho que é uma oportunidade ímpar! Lamentavelmente, eu não poderei ir, mas contribuo com a divulgação da programação aqui neste espaço:
26/10 - SEGUNDA-FEIRA
19h – Sessão de Abertura - CORUMBIARA - Vincent Carelli (Brasil, 117 min, 2009, doc)
Classificação indicativa: livre
27/10 - TERÇA-FEIRA
15h - MOKOI TEKOÁ PETEI JEGUATÁ – DUAS ALDEIAS, UMA CAMINHADA - Arial Duarte Ortega, Germano Beñites, Jorge Morinico (Brasil, 63 min, 2008, doc)
DE VOLTA À TERRA BOA - Mari Corrêa, Vincent Carelli (Brasil, 21 min, 2008, doc)PRÎARA
JÕ, DEPOIS DO OVO, A GUERRA - Komoi Paraná (Brasil, 15 min, 2008, doc)Classificação indicativa: livre
17h - À MARGEM DO LIXO - Evaldo Mocarzel (Brasil, 84 min, 2008, doc)
Classificação indicativa: livre

19h – Audiodescrição
NÃO CONTE A NINGUÉM - Francisco J. Lombardi (Peru / Espanha, 120 min, 1998, fic)
* Sessão com audiodescrição para público com deficiência visual
28/10 – QUARTA-FEIRA
15h - YÃKWÁ, O BANQUETE DOS ESPÍRITOS - Virgínia Valadão (Brasil, 54 min, 1995, doc)
A ARCA DOS ZO’É - Dominique Tilkin Gallois, Vincent Carelli (Brasil, 22 min, 1993, doc)O
ESPÍRITO DA TV - Vincent Carelli (Brasil, 18 min, 1990, doc)Classificação indicativa: livre
17h - NUNCA MAIS!!! COCHABAMBA, 11 DE JANEIRO DE 2007 - Roberto Alem (Bolívia, 52 min, 2007, doc)
DAYUMA NUNCA MAIS - Roberto Aguirre Andrade (Equador, 30 min, 2008, doc)
Classificação indicativa: livre
19h - O SIGNO DA CIDADE - Carlos Alberto Riccelli (Brasil, 96 min, 2007, fic)
OS SAPATOS DE ARISTEU - René Guerra (Brasil, 17 min, 2008, fic)
Classificação indicativa: 16 anos

29/10 – QUINTA-FEIRA
15h - PRO DIA NASCER FELIZ - João Jardim (Brasil, 88 min, 2006, doc)
Classificação indicativa: livre
17h - CRUELDADE MORTAL - Luiz Paulino dos Santos (Brasil, 92 min, 1976, fic)
ESTRELA DE OITO PONTAS - Fernando Diniz e Marcos Magalhães (Brasil, 12 min, 1996, fic/ani)Classificação indicativa: 16 anos
19h - TAMBORES DE ÁGUA: UM ENCONTRO ANCESTRAL - Clarissa Duque (Venezuela / Camarões, 75 min, 2008, doc)
ALÉM DE CAFÉ, PETRÓLEO E DIAMANTES - Marcelo Trotta (Brasil, 15 min, 2007, doc)
TARABATARA - Julia Zakia (Brasil, 23 min, 2007, doc)
Classificação indicativa: livre
30/10 – SEXTA-FEIRA
15h – Audiodescrição
O SIGNO DA CIDADE - Carlos Alberto Riccelli (Brasil, 96 min, 2007, fic)
* Sessão com audiodescrição para público com deficiência visual
Classificação indicativa: 16 anos
17h - DEVOÇÃO - Sergio Sanz (Brasil, 85 min, 2008, doc)PHEDRA - Claudia Priscilla (Brasil, 13 min, 2008, doc)
Classificação indicativa: 12 anos 19h
O REALISMO SOCIALISTA - Raúl Ruiz (Chile, 52 min, 1973, fic/doc)
AGARRANDO PUEBLO (OS VAMPIROS DA MISÉRIA) - Carlos Mayolo, Luis Ospina (Colômbia, 28 min, 1978, fic)
Classificação indicativa: 16 anos
21h - UNIDADE 25 - Alejo Hojiman (Argentina / Espanha, 90 min, 2008, doc)
COCAIS, A CIDADE REINVENTADA - Inês Cardoso (Brasil, 15 min, 2008, doc)
Classificação indicativa: 16 anos
31/10 – SÁBADO
13h - ESSE HOMEM VAI MORRER - UM FAROESTE CABOCLO - Emilio Gallo (Brasil, 75 min, 2008, doc)
CONTRA-CORRENTE - Agostina Guala (Argentina, 9 min, 2008, fic)PARTIDA - Marcelo Martinessi (Paraguai, 14 min, 2008, fic)
Classificação indicativa: 16 anos
15h - BAGATELA – A NECESSIDADE TEM CARA DE CACHORRO - Jorge Caballero (Colômbia / Espanha, 74 min, 2008, doc)
MENINO ARANHA - Mariana Lacerda (Brasil, 13 min, 2008, doc)
MENINOS - Gonzalo Rodríguez Fábregas (Uruguai, 14 min, 2008, doc)
Classificação indicativa: 12 anos
17h - TAMBÉM SOMOS IRMÃOS - José Carlos Burle (Brasil, 85 min, 1949, fic)
Classificação indicativa: livre
19h - HISTÓRIAS DE DIREITOS HUMANOS – vários diretores (diversos países, 84 min, 2008, doc/fic)
Classificação indicativa: 16 anos
21h - ENTRE A LUZ E A SOMBRA - Luciana Burlamaqui (Brasil, 150 min, 2007, doc)
Classificação indicativa: 16 anos
01/11 – DOMINGO
13h - SENTIDOS À FLOR DA PELE - Evaldo Mocarzel (Brasil, 80 min, 2008, doc)
PUGILE - Danilo Solferini (Brasil, 21 min, 2007, fic)
Classificação indicativa: livre
15h - TRAGO COMIGO – Parte 1 (capítulos 1 e 2) - Tata Amaral (Brasil, 96 min, 2009, doc/fic)
Classificação indicativa: 16 anos
17h - TRAGO COMIGO – Parte 2 (capítulos 3 e 4) - Tata Amaral (Brasil, 96 min, 2009, doc/fic)
Classificação indicativa: 16 anos
19h - O CAVALEIRO NEGRO - Ulf Hultberg, Åsa Faringer (Suécia / México / Dinamarca, 95min, 2007, fic)
Classificação indicativa: 14 anos
21h - GARAPA - José Padilha (Brasil, 110 min, 2008, doc)
Classificação indicativa: 12 anos
Mais informações: (82) 3235-5191.

domingo, 18 de outubro de 2009

De volta às postagens


Alguns amigos queridos, leitores do meu blog, reinvidicam a atualização de minhas postagens. Agradeço o interesse e afirmo o meu esforço em voltar a escrever com a frequência de sempre. Ocorre que o exílio compulsório pelo qual estou passando exilou também a minha inspiração. As ideias até aparecem, mas não me disponho a escrever. Como não sou jornalista, que tem a obrigação da escrita diária, independentemente de inspiração - até mesmo porque para eles o que move a escrita é a técnica - escrevo apenas quando quero. Tenho me esforçado para escrever artigos quinzenais para a Gazeta de Alagoas e geralmente os publico aqui também. Essas tem sido as minhas mais recentes postagens, que acabam sendo mais formais também. Confesso que essa formalidade, aqui, gera em mim um certo incômodo, pois o propósito deste espaço virtual é falar de qualquer tema, a qualquer hora, sem o compromisso do rigor acadêmico ou mesmo da mensuração das palavras. É claro que os discursos têm uma ordem - como diria Foucault -, e que isso significa limites sobre o que falar e onde falar. E é bom que seja assim. Se tudo o que pensássemos sobre pessoas e fatos pudesse vir a público, o caos estaria estabelecido. Sim, os limites são pressupostos de qualquer tentativa de civilização. Além disso, o impartilhável é um trunfo da alma, algo que se esconde por detrás de um sorriso enigmático, como o de Mona Lisa.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Acessibilidade é civilização

Batentes por todos os lados. O chão? Irregular. Portas largas e barras de apoio em banheiros de restaurantes e lanchonetes? Raramente. E nos provadores das lojas? Nunca! E para entrar nos ônibus? Quase um milagre... E que tal as vagas de carro exclusivas para pessoas com deficiência? Sempre ocupadas por algum engraçadinho sem qualquer respeito ao próximo. E a questão da segurança das pessoas que transitam pelas cidades? Sempre precária. Definitivamente, a vida de pessoas com dificuldade de locomoção não é nada fácil, sobretudo quando a cidade e a população não estão prontas para elas.

Quando se pensa em cidadania e inclusão social, não é apenas a dimensão econômica que está em questão. Existem várias outras formas de violar a cidadania e de excluir pessoas do convívio social. A falta de acessibilidade é uma delas. Como sentimento de pertença a um determinado grupamento, que ocupa um determinado território, a cidadania pressupõe convívio, diálogo, respeito.

Se uma cidade não dá condições para que as pessoas com deficiência – permanente ou passageira – possam transitar por todos os espaços públicos e privados, esta mesma cidade nega a cidadania aos sujeitos.

É preciso lembrar que os problemas de acessibilidade compõem apenas uma dimensão das inúmeras dificuldades pelas quais passam pessoas com deficiência. Como se não fosse suficiente a exclusão espacial, ainda é preciso lidar com preconceitos de ordem estética e outros fundados na equivocada crença da inferioridade dessas pessoas.

No dia 21 de setembro é comemorado o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Estamos, portanto, em plena Semana da Acessibilidade. Pelo Brasil afora ocorrem, todos os dias, diversas manifestações de grupos e associações de pessoas com deficiência, com o propósito de sensibilizar as comunidades sobre a questão. De fato, grandes centros urbanos e pequenas cidades do interior têm em comum a precariedade no quesito acessibilidade. Mas isso pode mudar. Tornar as cidades acessíveis e seguras para qualquer pessoa é essencial para toda nação que se diga civilizada.

Publicado na Gazeta de Alagoas em 24/09/2009 (http://gazetaweb.globo.com/v2/gazetadealagoas/texto_completo.php?cod=153340&ass=37&data=2009-09-24)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Crítica literária - O relato de Nanna

Transcrevo aqui o excelente texto escrito pelo amigo Sérgio Coutinho, que assina o blog Mundo em movimentos, sobre o livro "O relato de Nanna", de Humberto, meu irmão. É sempre bom quando nos deparamos com leitores qualificados que têm algo de inteligente a dizer sobre literatura.

Terminei a leitura de "O Relato de Nanna", livro de Humberto Pimentel. Fazia tempo que não demorava tanto para encerrar um romance, mas este precisava ser lido com calma para ser bem apreciado.
Foi bom ver Humbertão encarar um desafio de nosso tempo logo em seu primeiro romance. Nossas tramas, como nossas vidas, seguem uma percepção não-linear do tempo. Não nos importa tanto, numa Wikipedia, no Google, uma sequência cronológica do que é descrito. Tudo, de qualquer tempo, parece imerso num eterno presente, podendo ser analisado sob o olhar de nossa época e comparado a qualquer outro fenômeno? Parece complicado? Humberto segue com sutileza logo nas primeiras páginas, de um enredo que se situa entre três tempos: o primeiro narrador, que toma o relato de Nanna que dá título ao livro, Nanna num passado recente e Nanna num passado distante como narradora e ao mesmo tempo como personagem. É impressionante a desenvoltura com que Humberto lida com linhas de tempo distintas. É sinal de estilo bem desenvolvido fazer algo complexo parecer simples. Nada da dor de cabeça que um episódio de Lost pode nos dar. Nada das dezenas de linhas de tempo do (maravilhoso) "Leite Derramado" de Chico Buarque. Os três períodos são bem ajustados logo no começo da trama para que o leitor acompanhe sem dificuldade a narrativa.
Humberto escreveu como um romance de formação, mas brincando com o formato. Os romances de formação não são algo tradicional em nossa literatura. São enredos em que as personagens estão em autoconhecimento, em amadurecimento, mas nesse caso Nanna rejeita boa parte das possibilidades de crescimento, contesta, age de modo distinto, contando com uma consciência exterior (não vou adiantar nada que comprometa o fim da história...) que ora é ignorada ora é respeitada ora é domesticada, mas que não simplesmente seja seguida.
Não direi sobre o que é a história pois o enredo impede sinopses. As sutilezas na narrativa exigem que seja lentamente descoberta. Uma crítica? Algo que não gostei? Não gostei de não encontrar maior repercussão. Na verdade, se Humberto tivesse publicado num estado cuja população tivesse maior hábito de leitura, contasse com livrarias, eventos literários não restritos a universitários, talvez já estivesse sendo procurado para adaptar para série de TV ou curta-metragem. Merece outras linguagens para as diversas texturas da história (texturas mesmo, é trama muito visual) poderem ser desvendadas.
Sérgio Coutinho