sábado, 21 de novembro de 2009

Congresso Acadêmico 2009



Entre os dias 23 e 28 de novembro ocorrerá o Congresso Acadêmico 2009 da Universidade Federal de Alagoas, nos campi A.C. Simões (Maceió) e Arapiraca. Além da programação geral, cada Unidade Acadêmica fará sua programação interna. Na Faculdade de Direito de Alagoas - FDA, teremos muitas palestras e minicursos, organizados pela Profa. Lavínia Cavalcanti. Participarão professores da FDA e de outras faculdades de Direito de Maceió. É mais uma oportunidade de discussões e debates que agrega alunos e professores ao redor de temas sócio-jurídicos atualizados. Esperamos contar com a participação maciça dos nossos estudantes.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Lançamentos do dia


Acontecerá hoje, no Toro de Psicanálise, em Maceió, o lançamento de três publicações: o livro "A toxicomania e sua relação com a adolescência", da psicanalista Taciana Mafra, o nº 7 da revista "Antígona" e a revista "ECO 9 - Produção do Toro de Psicanálise", do psicanalista Roberto Mafra. São três produções que certamente trarão grandes contribuições para os leitores do mundo psi. Estarei lá!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Comentário sobre o livro

Fique muito lisonjeada com as palavras do meu primo Pablo Falcão em seu blog Sobre âncoras e espelhos d'água, acerca do livro. É muito bom, para quem escreve, receber um retorno dos leitores. Entendo que o lançamento de um livro não pode ser apenas um momento festivo. É muito mais do que isso: é o momento em que o autor coloca para o público as suas ideias, abrindo a possibilidade de diálogo e de críticas. Escrever é, para mim, um compromisso. Penso que é preciso ter responsabilidade sobre o que se escreve, já que escrever é uma forma falar. Toda fala é endereçada a alguém, mesmo que esse alguém seja uma abstração, uma alteridade desconhecida. Há, portanto, um "recado" a ser dado.
Há quem ache interessante afirmar que tal autor não tem qualquer preocupação em ser didático: o que ele quer é falar. Tudo bem, escolha dele. Mas eu não penso assim. Como educadora, tenho consciência de que a escrita é uma forma de comunicação e, nessa qualidade, pressupõe um receptor que realmente venha a receber a mensagem. Reconheço, é claro, que há momentos em que essa mensagem realmente não chega, sobretudo se a leitura já é influenciada por perspectivas teóricas ou ideológicas. Mas a questão aí é do leitor. O autor fez a sua parte.
É isso. Visitem o blog do Pablo. Garanto que nunca viram nada mais pós-moderno.

domingo, 8 de novembro de 2009

Notícias do lançamento

Ontem vivi mais um dia de muita emoção e alegria na minha vida. O lançamento do livro escrito em coautoria com minha amiga Ruth Vasconcelos foi, de fato, um momento especial, que agregou pessoas queridas, que acreditam na seriedade do nosso trabalho e que se alegram com as nossas conquistas.

O "bate-papo com as autoras", proporcionaado pela organização da IV Bienal Internacional do Livro, foi um momento descontraído, no qual explicamos a trajetória da construção do livro e como isso está intrinsecamente relacionado à história da parceria intelectual e da amizade cultivadas por Ruth e eu desde que ela foi minha orientadora no Mestrado.
A emoção tomou conta de mim - como sempre - quando fiz os agradecimentos de praxe. Mais emoção ainda foi quando alunos e ex-alunos ali presentes deram seus testemunhos sobre Ruth e eu, enfatizando a nossa influência sobre suas escolhas intelectuais e suas carreiras. Nesse sentido, as falas de Bruno Lamenha, Manoel Bernardino e Carlos Augusto foram inesquecíveis.

O amigo Sérgio Coutinho, sempre muito presente, gravou todo o bate-papo e já disponibilizou na internet. Confiram abaixo:



Minhas considerações



Considerações da Ruth

O momento do lançamento do livro, no Café Literário da Edufal, foi outra emoção. Cada familiar, amigo, colega e aluno que chegava era motivo de grande alegria. O espaço ficou pequeno para tantas pessoas, a ponto de chamar a atenção de quem passava pelo lado de fora. Chegaram a pensar que se tratava de alguém famoso, de artistas ou escritores renomados. Não, éramos nós, duas mulheres sensíveis aos dramas da violência e da criminalidade, mas que, na qualidade de pesquisadoras e educadoras, acreditam na possibilidade da construção de um mundo melhor, pautado pelo respeito aos seres humanos. Acima de tudo, encontramos nas palavras um caminho para o diálogo constante, não apenas com acadêmicos, mas com toda a sociedade civil.

Preparei uma surpresa para a Ruth: escrevi um artigo para a Gazeta de Alagoas, falando do privilégio que é o nosso encontro intelectual. Qualquer coisa que eu fale sobre a importância da Ruth para a minha vida acadêmica e, cada vez mais, como amiga de grande apreço, ainda é pouco. Transcrevo aqui, na íntegra, o artigo, escrito com o que há de mais sincero em mim.


O privilégio de um encontro intelectual


Já dizia Vinícius de Morais que “a vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros”. Encontrar pessoas que estejam dispostas a contribuir para o crescimento dos outros é algo muito raro nos dias de hoje, sobretudo num campo permeado por vaidades de toda forma, como é a Academia. Generosidade intelectual, ali, é virtude de poucos.

Tenho tido o privilégio de encontrar, ao longo de minha formação, alguns intelectuais competentes e refinados que exerceram e exercem importante influência sobre mim, não apenas nos aspectos teórico e técnico da atividade intelectual, mas especialmente na construção de uma visão de mundo pautada pelo respeito às diferenças.

Nesse sentido, a socióloga Ruth Vasconcelos merece destaque especial. Pesquisadora de sólida formação, Ruth faz da atividade acadêmica um meio de transformação da realidade social, sobretudo quando levanta a bandeira da valorização da vida humana e da paz.

Foi por meio da orientação dela, no mestrado em Sociologia, que conheci o sujeito e a subjetividade como elementos fundamentais para a compreensão de qualquer problema social.
Foi também com ela que compreendi que é possível estabelecer uma relação professor-aluno fundada na autoridade do mestre, mas mediada pelo extremo respeito ao outro.

Sem essa generosidade peculiar e sem a sensibilidade que é marca distintiva da Ruth, não estaríamos hoje celebrando o lançamento do nosso primeiro livro em coautoria, intitulado Violência e criminalidade em mosaico.

Sinto-me privilegiada por merecer tamanha confiança, mas reconheço que foi por compartilhar com ela a mesma inquietação quanto às questões da violência e da criminalidade que estabelecemos tão fértil parceria e tão bela amizade.

Posso afirmar com convicção que meu compromisso com a construção de um mundo melhor encontra inspiração nessa grande mulher, minha eterna professora.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009



É com muita alegria que convido todos os meus leitores para o lançamento do meu novo livro, escrito em coautoria com a querida Ruth Vasconcelos, minha eterna professora.
O livro, intitulado "Violência e criminalidade em mosaico" resulta de nossa parceria de estudos e pesquisas desde que Ruth foi minha orientadora no mestrado em Sociologia.
Há toda uma história ao redor da construção desse livro, mas não contarei agora. Quem estiver presente no lançamento saberá porque "mosaico" e compreenderá a dimensão da importância dessa obra para mim e para Ruth.
Tenho certeza de que será uma noite muito agradável, sobretudo porque além do nosso livro, serão lançados, no mesmo momento, livros de amigos professores e pesquisadores como Sávio Almeida, Amaro Hélio, Cícero Albuquerque, Cícero Péricles, José Nascimento, Osvaldo Maciel e outros.
De minha parte, são dois sonhos realizados: lançar um livro com a Ruth e na Bienal do Livro de Alagoas.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Contagem regressiva para a Bienal!!!


Começa amanhã, dia 30 de outubro, a IV Bienal Internacional do Livro em Alagoas! Serão muitas editoras e livrarias que colocarão à nossa disposição obras das mais variadas áreas, além de palestras, leitura para a criançada, bate-papo com autoras e autores e muito mais. Enfim, 10 dias de muita integração cultural na nossa Maceió, tão carente de boas livrarias e espaços literários. Na página da UFAL há informações importantes sobre a estrutura da Bienal, que cresce a cada edição. A programação pode ser encontrada no site da própria Bienal. Eu também lançarei livro no evento. Em breve colocarei os detalhes sobre a obra e o lançamento aqui no blog. Por enquanto, fico apenas na contagem regressiva...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Protegendo a intimidade e a dignidade da pessoa humana

Penso que decisões judiciais como esta, abaixo, merecem ampla divulgação. Valores como intimidade e dignidade humana não são negociáveis, sobretudo em uma sociedade que desconfia de tudo e de todos.

Acordo judicial põe fim à revista íntima no Aldebaran

O juiz da 7ª Vara do Trabalho de Maceió, Alan Esteves, homologou o acordo firmado entre o Ministério Público do Trabalho (MPT) em Alagoas e o Aldebaran Beta, no qual o condomínio está obrigado a não mais realizar revista nos pertences dos trabalhadores que transitam pela portaria do local. Com a conciliação, extingue-se a ação civil pública de nº 988/2009 e se garante o respeito à intimidade e à dignidade dos empregados, que não mais passarão por aquela situação vexatória.

Também ficou determinado que o condomínio pagará indenização no valor de 5 mil reais, reversível ao Fundo de Amparo ao Trabalho (FAT).

Liminar

Em setembro passado, o magistrado havia concedido liminar, atendendo ao pedido do MPT, proibindo a prática de revista íntima no condomínio. Alan Esteves considerou que a revista íntima constrangia os trabalhadores, de forma a afrontar a intimidade e a dignidade da pessoa humana.

sábado, 24 de outubro de 2009

Conselho Penitenciário de Alagoas - 80 anos

Na quinta-feira passada deixei meu exílio temporário para participar da solenidade de comemoração dos 80 anos do Conselho Penitenciário do Estado de Alagoas, no Tribunal de Justiça. Ali estavam reunidos muitos dos ex-conselheiros que, como eu, foram convidados para receber uma comenda comemorativa. Em seu discurso, o atual presidente do Conselho, o promotor aposentado Franciso José Torres, falou sobre a história do Conselho Penitenciário de Alagoas, com base no trabalho de compilação e digitalização das atas de todas as sessões ocorridas desde a criação do Conselho, em 1926. Esse exaustivo trabalho foi feito por ele, pessoalmente, ao longo de alguns anos. Ali estão registrados importantes fatos históricos relacionados à criminalidade, às polícias e às prisões do Estado de Alagoas. Foi realmente uma aula de história, permeada por dados e fatos curiosos, a exemplo da função de guardador de chaves da prisão que foi dada ao assassino do industrial Delmiro Gouveia e da origem do nome do maior presídio de Alagoas, Baldomero Cavalcanti de Oliveira, homenagem a um presidiário que muito colaborou com o Conselho. Todo esse resgate histórico está disponível no site do Conselho Penitenciário de Alagoas (http://www.conselhopenitenciario.al.gov.br/), que foi lançado na mesma solenidade. Vale a pena dar uma passadinha no site e conhecer um pouco do Conselho Penitenciário, órgão da execução penal ainda pouco conhecido, mas de grande importância para o sistema penitenciário do nosso Estado.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Cine Sesi - Cinema de graça!


Recebi hoje a programação da 4ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos da América do Sul, que acontecerá entre os dias 26/10 e 01/11, no Cine SESI Pajuçara. A entrada é franca, mas as vagas são limitadas, já que na sala existem apenas 163 lugares. Acho que é uma oportunidade ímpar! Lamentavelmente, eu não poderei ir, mas contribuo com a divulgação da programação aqui neste espaço:
26/10 - SEGUNDA-FEIRA
19h – Sessão de Abertura - CORUMBIARA - Vincent Carelli (Brasil, 117 min, 2009, doc)
Classificação indicativa: livre
27/10 - TERÇA-FEIRA
15h - MOKOI TEKOÁ PETEI JEGUATÁ – DUAS ALDEIAS, UMA CAMINHADA - Arial Duarte Ortega, Germano Beñites, Jorge Morinico (Brasil, 63 min, 2008, doc)
DE VOLTA À TERRA BOA - Mari Corrêa, Vincent Carelli (Brasil, 21 min, 2008, doc)PRÎARA
JÕ, DEPOIS DO OVO, A GUERRA - Komoi Paraná (Brasil, 15 min, 2008, doc)Classificação indicativa: livre
17h - À MARGEM DO LIXO - Evaldo Mocarzel (Brasil, 84 min, 2008, doc)
Classificação indicativa: livre

19h – Audiodescrição
NÃO CONTE A NINGUÉM - Francisco J. Lombardi (Peru / Espanha, 120 min, 1998, fic)
* Sessão com audiodescrição para público com deficiência visual
28/10 – QUARTA-FEIRA
15h - YÃKWÁ, O BANQUETE DOS ESPÍRITOS - Virgínia Valadão (Brasil, 54 min, 1995, doc)
A ARCA DOS ZO’É - Dominique Tilkin Gallois, Vincent Carelli (Brasil, 22 min, 1993, doc)O
ESPÍRITO DA TV - Vincent Carelli (Brasil, 18 min, 1990, doc)Classificação indicativa: livre
17h - NUNCA MAIS!!! COCHABAMBA, 11 DE JANEIRO DE 2007 - Roberto Alem (Bolívia, 52 min, 2007, doc)
DAYUMA NUNCA MAIS - Roberto Aguirre Andrade (Equador, 30 min, 2008, doc)
Classificação indicativa: livre
19h - O SIGNO DA CIDADE - Carlos Alberto Riccelli (Brasil, 96 min, 2007, fic)
OS SAPATOS DE ARISTEU - René Guerra (Brasil, 17 min, 2008, fic)
Classificação indicativa: 16 anos

29/10 – QUINTA-FEIRA
15h - PRO DIA NASCER FELIZ - João Jardim (Brasil, 88 min, 2006, doc)
Classificação indicativa: livre
17h - CRUELDADE MORTAL - Luiz Paulino dos Santos (Brasil, 92 min, 1976, fic)
ESTRELA DE OITO PONTAS - Fernando Diniz e Marcos Magalhães (Brasil, 12 min, 1996, fic/ani)Classificação indicativa: 16 anos
19h - TAMBORES DE ÁGUA: UM ENCONTRO ANCESTRAL - Clarissa Duque (Venezuela / Camarões, 75 min, 2008, doc)
ALÉM DE CAFÉ, PETRÓLEO E DIAMANTES - Marcelo Trotta (Brasil, 15 min, 2007, doc)
TARABATARA - Julia Zakia (Brasil, 23 min, 2007, doc)
Classificação indicativa: livre
30/10 – SEXTA-FEIRA
15h – Audiodescrição
O SIGNO DA CIDADE - Carlos Alberto Riccelli (Brasil, 96 min, 2007, fic)
* Sessão com audiodescrição para público com deficiência visual
Classificação indicativa: 16 anos
17h - DEVOÇÃO - Sergio Sanz (Brasil, 85 min, 2008, doc)PHEDRA - Claudia Priscilla (Brasil, 13 min, 2008, doc)
Classificação indicativa: 12 anos 19h
O REALISMO SOCIALISTA - Raúl Ruiz (Chile, 52 min, 1973, fic/doc)
AGARRANDO PUEBLO (OS VAMPIROS DA MISÉRIA) - Carlos Mayolo, Luis Ospina (Colômbia, 28 min, 1978, fic)
Classificação indicativa: 16 anos
21h - UNIDADE 25 - Alejo Hojiman (Argentina / Espanha, 90 min, 2008, doc)
COCAIS, A CIDADE REINVENTADA - Inês Cardoso (Brasil, 15 min, 2008, doc)
Classificação indicativa: 16 anos
31/10 – SÁBADO
13h - ESSE HOMEM VAI MORRER - UM FAROESTE CABOCLO - Emilio Gallo (Brasil, 75 min, 2008, doc)
CONTRA-CORRENTE - Agostina Guala (Argentina, 9 min, 2008, fic)PARTIDA - Marcelo Martinessi (Paraguai, 14 min, 2008, fic)
Classificação indicativa: 16 anos
15h - BAGATELA – A NECESSIDADE TEM CARA DE CACHORRO - Jorge Caballero (Colômbia / Espanha, 74 min, 2008, doc)
MENINO ARANHA - Mariana Lacerda (Brasil, 13 min, 2008, doc)
MENINOS - Gonzalo Rodríguez Fábregas (Uruguai, 14 min, 2008, doc)
Classificação indicativa: 12 anos
17h - TAMBÉM SOMOS IRMÃOS - José Carlos Burle (Brasil, 85 min, 1949, fic)
Classificação indicativa: livre
19h - HISTÓRIAS DE DIREITOS HUMANOS – vários diretores (diversos países, 84 min, 2008, doc/fic)
Classificação indicativa: 16 anos
21h - ENTRE A LUZ E A SOMBRA - Luciana Burlamaqui (Brasil, 150 min, 2007, doc)
Classificação indicativa: 16 anos
01/11 – DOMINGO
13h - SENTIDOS À FLOR DA PELE - Evaldo Mocarzel (Brasil, 80 min, 2008, doc)
PUGILE - Danilo Solferini (Brasil, 21 min, 2007, fic)
Classificação indicativa: livre
15h - TRAGO COMIGO – Parte 1 (capítulos 1 e 2) - Tata Amaral (Brasil, 96 min, 2009, doc/fic)
Classificação indicativa: 16 anos
17h - TRAGO COMIGO – Parte 2 (capítulos 3 e 4) - Tata Amaral (Brasil, 96 min, 2009, doc/fic)
Classificação indicativa: 16 anos
19h - O CAVALEIRO NEGRO - Ulf Hultberg, Åsa Faringer (Suécia / México / Dinamarca, 95min, 2007, fic)
Classificação indicativa: 14 anos
21h - GARAPA - José Padilha (Brasil, 110 min, 2008, doc)
Classificação indicativa: 12 anos
Mais informações: (82) 3235-5191.

domingo, 18 de outubro de 2009

De volta às postagens


Alguns amigos queridos, leitores do meu blog, reinvidicam a atualização de minhas postagens. Agradeço o interesse e afirmo o meu esforço em voltar a escrever com a frequência de sempre. Ocorre que o exílio compulsório pelo qual estou passando exilou também a minha inspiração. As ideias até aparecem, mas não me disponho a escrever. Como não sou jornalista, que tem a obrigação da escrita diária, independentemente de inspiração - até mesmo porque para eles o que move a escrita é a técnica - escrevo apenas quando quero. Tenho me esforçado para escrever artigos quinzenais para a Gazeta de Alagoas e geralmente os publico aqui também. Essas tem sido as minhas mais recentes postagens, que acabam sendo mais formais também. Confesso que essa formalidade, aqui, gera em mim um certo incômodo, pois o propósito deste espaço virtual é falar de qualquer tema, a qualquer hora, sem o compromisso do rigor acadêmico ou mesmo da mensuração das palavras. É claro que os discursos têm uma ordem - como diria Foucault -, e que isso significa limites sobre o que falar e onde falar. E é bom que seja assim. Se tudo o que pensássemos sobre pessoas e fatos pudesse vir a público, o caos estaria estabelecido. Sim, os limites são pressupostos de qualquer tentativa de civilização. Além disso, o impartilhável é um trunfo da alma, algo que se esconde por detrás de um sorriso enigmático, como o de Mona Lisa.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Acessibilidade é civilização

Batentes por todos os lados. O chão? Irregular. Portas largas e barras de apoio em banheiros de restaurantes e lanchonetes? Raramente. E nos provadores das lojas? Nunca! E para entrar nos ônibus? Quase um milagre... E que tal as vagas de carro exclusivas para pessoas com deficiência? Sempre ocupadas por algum engraçadinho sem qualquer respeito ao próximo. E a questão da segurança das pessoas que transitam pelas cidades? Sempre precária. Definitivamente, a vida de pessoas com dificuldade de locomoção não é nada fácil, sobretudo quando a cidade e a população não estão prontas para elas.

Quando se pensa em cidadania e inclusão social, não é apenas a dimensão econômica que está em questão. Existem várias outras formas de violar a cidadania e de excluir pessoas do convívio social. A falta de acessibilidade é uma delas. Como sentimento de pertença a um determinado grupamento, que ocupa um determinado território, a cidadania pressupõe convívio, diálogo, respeito.

Se uma cidade não dá condições para que as pessoas com deficiência – permanente ou passageira – possam transitar por todos os espaços públicos e privados, esta mesma cidade nega a cidadania aos sujeitos.

É preciso lembrar que os problemas de acessibilidade compõem apenas uma dimensão das inúmeras dificuldades pelas quais passam pessoas com deficiência. Como se não fosse suficiente a exclusão espacial, ainda é preciso lidar com preconceitos de ordem estética e outros fundados na equivocada crença da inferioridade dessas pessoas.

No dia 21 de setembro é comemorado o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Estamos, portanto, em plena Semana da Acessibilidade. Pelo Brasil afora ocorrem, todos os dias, diversas manifestações de grupos e associações de pessoas com deficiência, com o propósito de sensibilizar as comunidades sobre a questão. De fato, grandes centros urbanos e pequenas cidades do interior têm em comum a precariedade no quesito acessibilidade. Mas isso pode mudar. Tornar as cidades acessíveis e seguras para qualquer pessoa é essencial para toda nação que se diga civilizada.

Publicado na Gazeta de Alagoas em 24/09/2009 (http://gazetaweb.globo.com/v2/gazetadealagoas/texto_completo.php?cod=153340&ass=37&data=2009-09-24)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Crítica literária - O relato de Nanna

Transcrevo aqui o excelente texto escrito pelo amigo Sérgio Coutinho, que assina o blog Mundo em movimentos, sobre o livro "O relato de Nanna", de Humberto, meu irmão. É sempre bom quando nos deparamos com leitores qualificados que têm algo de inteligente a dizer sobre literatura.

Terminei a leitura de "O Relato de Nanna", livro de Humberto Pimentel. Fazia tempo que não demorava tanto para encerrar um romance, mas este precisava ser lido com calma para ser bem apreciado.
Foi bom ver Humbertão encarar um desafio de nosso tempo logo em seu primeiro romance. Nossas tramas, como nossas vidas, seguem uma percepção não-linear do tempo. Não nos importa tanto, numa Wikipedia, no Google, uma sequência cronológica do que é descrito. Tudo, de qualquer tempo, parece imerso num eterno presente, podendo ser analisado sob o olhar de nossa época e comparado a qualquer outro fenômeno? Parece complicado? Humberto segue com sutileza logo nas primeiras páginas, de um enredo que se situa entre três tempos: o primeiro narrador, que toma o relato de Nanna que dá título ao livro, Nanna num passado recente e Nanna num passado distante como narradora e ao mesmo tempo como personagem. É impressionante a desenvoltura com que Humberto lida com linhas de tempo distintas. É sinal de estilo bem desenvolvido fazer algo complexo parecer simples. Nada da dor de cabeça que um episódio de Lost pode nos dar. Nada das dezenas de linhas de tempo do (maravilhoso) "Leite Derramado" de Chico Buarque. Os três períodos são bem ajustados logo no começo da trama para que o leitor acompanhe sem dificuldade a narrativa.
Humberto escreveu como um romance de formação, mas brincando com o formato. Os romances de formação não são algo tradicional em nossa literatura. São enredos em que as personagens estão em autoconhecimento, em amadurecimento, mas nesse caso Nanna rejeita boa parte das possibilidades de crescimento, contesta, age de modo distinto, contando com uma consciência exterior (não vou adiantar nada que comprometa o fim da história...) que ora é ignorada ora é respeitada ora é domesticada, mas que não simplesmente seja seguida.
Não direi sobre o que é a história pois o enredo impede sinopses. As sutilezas na narrativa exigem que seja lentamente descoberta. Uma crítica? Algo que não gostei? Não gostei de não encontrar maior repercussão. Na verdade, se Humberto tivesse publicado num estado cuja população tivesse maior hábito de leitura, contasse com livrarias, eventos literários não restritos a universitários, talvez já estivesse sendo procurado para adaptar para série de TV ou curta-metragem. Merece outras linguagens para as diversas texturas da história (texturas mesmo, é trama muito visual) poderem ser desvendadas.
Sérgio Coutinho

domingo, 30 de agosto de 2009

Deus nos acuda!

Uma vez me disseram que em Alagoas as pessoas morrem de tudo, menos de monotonia. De imediato achei essa afirmação de um humor um tanto duvidoso, mas a cada dia sou convencida de que é mais ou menos assim que as coisas acontecem. Os sucessivos episódios de um cotidiano conturbado e marcado pelas mais variadas expressões da violência nos colocam em constante sobressalto, sobretudo pela gravidade dos fatos em si.

Duas situações absurdas marcaram as nossas últimas semanas. Primeiro a brutalidade sofrida pelo estudante Fábio Acioli, que, além de covardemente espancado, teve 80% do seu corpo queimado. Independentemente do que concluir a polícia sobre as motivações do delito – se sequestro relâmpago ou crime passional – não há como minimizar uma incivilidade dessa natureza. Se esse tipo de violência, que brota das vicissitudes da complexa vida em sociedade já nos causa tanto espanto, o que dizer quando a própria ação do Estado, através de sua polícia, nos revela os paradoxos da (in)segurança pública?

O que se passou na Parada Gay em Penedo não encontra qualquer justificativa razoável. Arrastar um ser humano pelos cabelos e jogá-lo de rosto no chão quando outras medidas de retenção estão ao alcance da autoridade policial é inconcebível, mesmo diante de provocações ou insultos. Uma ação desproporcional como essa nos faz questionar que tipo de profissional temos nas ruas a serviço da comunidade. Qual o preparo emocional e técnico de alguém que exaspera em suas ações, sobretudo quando minorias como os homossexuais estão implicados no processo?

Entendo que a essência do Estado de Direito consiste no controle das pulsões humanas para que a vida em sociedade se faça possível. Foi para isso que o Estado foi criado. Essa estrutura racionalmente articulada que tomou para si o direito de punir não pode se transfigurar em uma ameaça aos próprios cidadãos. Não podemos esquecer que, nestes últimos anos, a Polícia Militar de Alagoas passou a ser reconhecida nacionalmente pela formação humana, cidadã e pacífica de seu contingente. Tolerar qualquer afronta à dignidade humana significa negar essa conquista tão cara à nossa história recente.

Publicado na Gazeta de Alagoas em 30/08/2009 (http://gazetaweb.globo.com/v2/gazetadealagoas/texto_completo.php?cod=152019&ass=37&data=2009-08-29)

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Convite - 4º Ato Ufal em defesa da vida





Transcrevo abaixo o convite feito pela Profa. Ruth Vasconcelos (PROEST)para o 4º Ato do Programa Ufal em defesa da vida. Desta vez serão discutidos os efeitos da mídia e da violência no tecido social, com especial destaque à exposição excessiva da violência na mídia, aos jogos eletrônicos e à internet no processo de produção da violência e à responsabilidade de mídia na produção de uma cultura de paz. Imperdível!
__________________
Caros(as) Colegas, Estudantes, Gestores(as) e Parceiros(as) do Movimento em Defesa da Vida,

A PROEST estará realizando no dia 26/08/2009, às 9:30hs, no antigo Auditório do CSAU, o 4º ATO do Programa UFAL EM DEFESA DA VIDA. Discutiremos, desta vez, a relação da Mídia com a Violência e seus efeitos no tecido social.

Divulguem, participem e colaborem para a construção de uma NOVA CULTURA POLÍTICA em nosso Estado.

Contamos com a sua presença e efetiva participação!

Atenciosamente,

Ruth Vasconcelos.
Coord. de Política Estudantil da PROEST/UFAL.

domingo, 16 de agosto de 2009

Refugo humano

Há um sociólogo polonês chamado Zygmunt Bauman que tem se dedicado ao estudo das vicissitudes da modernidade e da pós-modernidade. Em um livro intitulado Vidas desperdiçadas, Bauman problematiza a condição de seres humanos que, literalmente, sobram no mundo contemporâneo. Apresenta, então, o conceito de “refugo humano” para se referir a essas pessoas. Posso garantir que ninguém sai ileso da leitura desse texto.

Quando os meios de comunicação de massa noticiaram na semana passada a absurda morte de um menino de 11 anos no Lixão de Maceió, esmagado por um trator enquanto dormia numa montanha de lixo, depois de uma exaustiva noite de busca por algo que se aproveitasse em meio àquela imundície, imediatamente lembrei de Bauman. Sim, há seres humanos que são confundidos com lixo no mundo contemporâneo. São milhões e milhões de pessoas invisíveis que sobram porque estão à margem do mínimo necessário para que sejam reconhecidas como seres humanos. O caso dessa criança tem um duplo impacto sobre nós: real e simbólico. Real porque se trata de uma morte brutal, de uma vida ceifada pela violência da exclusão social. Simbólica porque aquela criança compunha a cena do lixão. Estava no lixo e, portanto, era refugo humano.

É claro que o atropelamento foi um acidente. Imagino o sobressalto do condutor do trator ao perceber a lamentável situação. No entanto, a presença daquele menino e de tantas outras crianças e adultos no lixão de Maceió não é algo acidental. Se estão ali é porque não têm lugar em outros espaços sociais. Encontram a sobrevivência naquilo que a sociedade mais despreza. Em cadeia nacional, a televisão mostra que no mesmo dia em que o menino é enterrado, outras crianças voltam a passar a noite catando restos nas montanhas do lixão. A rotina é retomada e o episódio do menino confundido com o lixo logo será esquecido. Sobre as montanhas de lixo continuam a transitar, invisíveis, montanhas de refugo humano.

Publicado na Gazeta de Alagoas em 15/08/2009 (http://gazetaweb.globo.com/v2/gazetadealagoas/texto_completo.php?cod=151327&ass=37&data=2009-08-15)

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Consciência zero

Nos últimos dias tenho me deparado com diversas demonstrações de desrespeito ao espaço público. Numa manhã de sexta-feira, em meu caminho diário à universidade, avisto uma pickup de pequeno porte parada sobre o canteiro central da Avenida Durval de Góes Monteiro, no sentido Tabuleiro-Farol. Meu primeiro pensamento é de que se trata de alguém com o carro quebrado, precisando de socorro. Engano meu. Ao passar mais perto percebo que, sem o menor constrangimento, um homem, vestindo a farda de uma empresa, despeja restos de madeira sobre a grama do canteiro. Quando termina seu cuidadoso trabalho, bate as mãos para limpar a poeira, entra no carro e vai embora. Sigo meu caminho imaginando o que se passa pela cabeça daquele sujeito que faz do canteiro de uma das principais avenidas da cidade de Maceió um depósito de lixo. Retornando para casa, no mesmo dia, olho o canteiro com atenção e percebo que a madeira já não está mais lá. No entanto, aquela cena não sai do meu pensamento. Enquanto dirijo, sigo matutando sobre as (in)capacidades humanas e sou surpreendida por uma outra demonstração de desprezo às vias públicas: da janela de um luxuoso carro é lançada uma embalagem de biscoito, que dança de acordo com a música do vento e cai bem no meio da faixa de rolamento. No dia seguinte, vejo alguém de dentro de outro carro lançar uma lata de cerveja pela janela. Ainda cheia do líquido que carrega, a lata sai ricocheteando pelo asfalto, entre um carro e outro, ladeira abaixo. Minutos depois, ao me dirigir a um caixa rápido, percebo que no espaço destinado aos envelopes de depósito há um copo descartável violentamente empurrado, com o claro propósito de inviabilizar o uso da máquina. Custo a acreditar na cena e saio me perguntando o motivo de tanto vandalismo.
Minha imaginação fértil me leva a pensar que essas pessoas talvez sejam as primeiras a cobrar dos que fazem o poder público um cuidadoso trato com a coisa pública. A cobrança, em si, não está errada e deve mesmo existir, pois é democrática em sua essência. O que certamente não passa pela cabeça desses indivíduos é que a cidadania é uma via de mão dupla, que nos coloca diante de direitos e obrigações. Afinal, como exigir respeito à coisa pública quando muitos cidadãos não têm consciência de que cada um de nós tem sua parcela de responsabilidade?
Publicado na Gazeta de Alagoas em 04/08/2009 (http://gazetaweb.globo.com/v2/gazetadealagoas/texto_completo.php?cod=150727&ass=37&data=2009-08-04)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Segurança pública e seus culpados

Aconteceu na semana passada a etapa alagoana da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública. O objetivo do evento foi construir princípios e diretrizes orientadores da política nacional de segurança pública, visando efetivar a segurança como direito fundamental. Estavam presentes representantes da sociedade civil, trabalhadores da segurança pública, gestores públicos, intelectuais, políticos, entre outros. Foi, de fato, mais uma oportunidade de contribuir com sugestões para a formação de políticas de segurança pública de alcance nacional, através de um debate horizontal e democrático.

Uma coisa que me chamou atenção, tanto nas plenárias que reuniram todos os participantes, quanto nos debates sobre os 7 eixos temáticos apresentados pelo Ministério da Justiça, foi a busca por culpados para a atual situação da violência e da criminalidade. Da família ao presidente da República foram diagnosticadas falhas e omissões que, em tese, contribuem para essa situação dantesca que envolve drogas, criminalidade, polícia despreparada e mal remunerada, sistema penitenciário falido, impunidade para os crimes de colarinho-branco (só para citar esses).
De quem é a culpa? Discursos inflamados e acirrados debates nos levaram à conclusão de que a culpa é, paradoxalmente, de todos e de ninguém: não há prevenção qualificada do crime (sobretudo através de políticas inclusivas voltadas para a juventude), não há investigação adequada dos delitos, não há condições de trabalho para as polícias, não há defensores públicos suficientes, não há agilidade no Judiciário, não há ressocialização nas prisões, não há acompanhamento dos egressos do cárcere.
É curioso notar que todas essas ausências desembocam em uma constatação muito simples: não há uma cultura de cumprimento da legislação no Brasil, sobretudo quando a coisa pública está em questão. Afinal, omissões dessa natureza significam a não observância de princípios e normas em vigor há décadas no Brasil. Nosso problema, portanto, não é normativo, mas sim de ordem política. Como diz Guimarães Rosa, o que a vida quer da gente é coragem. E isso é para poucos.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Dois pesos e duas medidas

Sucessivos escândalos no cenário político nacional, seguidos de polêmicas decisões do Poder Judiciário, nos revelam os contrastes do sistema de justiça penal no Brasil. Enquanto políticos e grandes empresários investigados por fraudes e desvios de milhões de reais respondem a processos em liberdade, no sistema penitenciário alagoano dezenas de mulheres e homens permanecem presos durante a instrução processual penal por pequenos delitos, a exemplo de furtos de cosméticos e remédios em farmácias.

É certo que diversos fatores contribuem para essa realidade. O acesso a uma defesa qualificada talvez seja o mais significativo. No entanto, não se pode perder de vista que essa desproporção está no âmago da descrença de nossos cidadãos no sistema de justiça vigente, acentuada por uma forte sensação de impunidade.
O rigor na aplicação da lei para réus anônimos, que sequer possuem RG, CPF ou CTPS e a tolerância com relação aos chamados crimes de colarinho-branco parecem estar presentes no imaginário popular.Por que crimes cometidos por organizações criminosas que atuam principalmente no Poder Legislativo e a criminalidade difusa, protagonizada por anônimos não têm o mesmo impacto social?
Por que pessoas que cometeram atos de corrupção circulam livremente e são até homenageadas e aplaudidas em determinados espaços sociais, enquanto a população clama por penas mais rígidas e tratamento cruel para os nossos pequenos delinquentes? É evidente que não tenho a resposta, mas posso sinalizar algumas reflexões.
Vivemos em uma sociedade marcada pelas distinções entre as pessoas. A igualdade, inclusive legal, é uma das maiores utopias que a humanidade já criou. Como nosso sistema de justiça é mediado por interpretações das normas diante de casos e pessoas concretas, sempre haverá a possibilidade de relativizar, inclusive, a gravidade de delitos praticados por sujeitos pertencentes a determinados segmentos sociais.Dois pesos e duas medidas? Sim.

domingo, 5 de julho de 2009

A era do gelo 3



Para aqueles que, como eu, são fãs de desenhos animados, recomendo A era do gelo 3. A saga da turminha do gelo continua muito engraçada e cheia de sensibilidade. O filme foi lançado na sexta-feira, dia 3 de julho. Em Maceió, para conseguir um ingresso nos cinemas, só na sessão das 21:30h, se chegar cedo. E ainda se prepare para compartilhar o espaço com criancinhas de 3 ou 4 que gritam a cada cena: "Mamãe, olha o dinossauro!", ou então "Aaaaaaai, o tigre"! Ao final, a sala do cinema parece mais um cenário de pós-guerra (pipoca por todos os lados etc etc etc). Tudo bem, isso faz parte da sétima arte. Aliás, em termos de desenho animado, é essa bagunça mesmo que torna a coisa interessante. Quem quiser conferir o trailer, clique aqui.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Maré



Alguns artistas têm em si o dom de reinventar. Quando a gente acha que esse ou aquele foi o melhor álbum da carreira de uma cantora, lá vem ela com algo novo e muito especial. Adriana Calcanhotto é assim. O álbum Maré é simplesmente perfeito. Ganhei esse CD de uma amiga que ontem virou um ponto brilhante no céu. Em homenagem a ela, deixo aqui, para o fim de semana, a música que dá nome ao álbum:






Maré


Mais uma vez
vem o mar
se dar
como imagem
Passagem
do árido à miragem
Sendo salgado
gelado
ou azul
Será só linguagem
Mais uma vez
vejo o mar
voltar
como imagem
Passagem
de átomo a paisagem

Estando emaranhado
verde azul
Será ondulado

Irado emaranhado
verde azul
Será ondulado

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Criatividade sem limites


A criatividade humana não tem limites, mesmo. Quando a situação parece ser a mais desconfortável possível, aparece sempre um "jeitinho" (não necessariamente brasileiro) para driblar as limitações. No sistema penitenciário não é diferente.
Na Penitenciária II de Sorocaba, interior de São Paulo, um agente penitenciário achou um "pombo-celular", versão mais moderna de pombo-correio. O animal trazia um celular amarrado ao corpo e deveria pousar bem nas mãos de algum detento. E não é a primeira vez que isso ocorre. Outros pombos já foram encontrados na mesma situação. Qual será a próxima "invenção"?

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Sociólogo em visita a Alagoas

S: Como está o doutorado?
E: Está ótimo. Estou no meio da pesquisa de campo.
S: É em Sociologia, lá na UFPE, né?
E: Isso.
S: O seu mestrado, em Sociologia, foi feito aqui?
E: Sim, aqui.
S: E você é professora também?
E: Sim, do curso de Direito.
S: Então sua graduação é em Direito???
E: Sim, em Direito.
S: É...ninguém é perfeito!
E: (?) kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Uma luz no fim do túnel

Dados da Secretaria de Defesa Social nos alertam que ocorreram 657 homicídios nos quatro primeiros meses de 2009, em Alagoas. Jovens das periferias envolvidos com o tráfico de drogas são os principais protagonistas dessa tragédia. A triste realidade da violência urbana nos coloca diante do seguinte questionamento: o que fazer?
As discussões sobre o tema da violência e da criminalidade são sempre permeadas por opiniões das mais diversas naturezas. Há os que clamam por ações policiais mais enérgicas, com uso de armamento pesado e monitoramento de áreas que, segundo as estatísticas, teriam altos índices de criminalidade.Para os ávidos em importar programas criados por outros países, o sistema norte-americano de tolerância zero seria o modelo ideal para o Brasil. Por outro lado, há os que estão convictos de que medidas recrudescentes, além de semearem o comportamento intolerante na população, aparecem como meros paliativos, incapazes de ter impacto sobre a violência e a criminalidade. Sendo assim, propõem uma abordagem diferente do problema. Importar modelos como o tolerância zero não parece ser a melhor saída, até mesmo porque, na prática, nossa segurança pública já é intolerante.
O fato da a ideologia fundadora do aparato de segurança pública, no Brasil, não ter sido batizada de “tolerância zero” não significa que isso não esteja presente no nosso cotidiano. Afinal, a brutalização da ação policial, o recrudescimento da legislação e a intolerância da sociedade civil já dão claros sinais dessa realidade. No entanto, parece haver uma luz no fim do túnel. Há uma significativa mudança no discurso oficial e até mesmo da sociedade civil, amparada, talvez, na certeza de que essas ações intolerantes já deram prova de que não produzem efeitos satisfatórios. Em outras palavras, barbárie gera barbárie. Por isso, políticas inclusivas, voltadas para o resgate da cidadania e do respeito ao outro passam a ocupar um espaço cada vez maior no enfrentamento da questão.
É importante, porém, que essas políticas não permaneçam na esfera dos debates vazios. Para além de meras políticas de governo, ações dessa natureza precisam transfigurar-se em verdadeiras políticas de Estado, que encontram na continuidade a tônica para resultados a longo prazo.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Luto no mundo POP



Ele não estava no rol dos meus artistas preferidos, mas fez parte da minha infância e adolescência. Lembro que meu irmão tinha os discos de vinil mais famosos, que sempre estavam presentes nas nossas festinhas de aniversário. Aprendi logo a cantarolar músicas como Thriller e Beat it, Moonwalker. Recordo, inclusive, do medo que eu sentia quando assistia o clip de Thriller, com aquelas figuras estranhas que mais lembravam o filme A volta dos mortos vivos. Eu devia ter uns 8 ou 9 anos. Das baladas com apelo social, as que eu mais gostava eram We are the world (que compôs junto com Lionel Richie) e Heal the world.
A vida cheia de excentrecidades fez de Michael Jackson uma lenda viva. Mudanças na cor da pele, inúmeras plásticas no rosto e envolvimentos em escândalos de pedofilia impediram que ele saísse de cena, mesmo quando a carreira artística não estava no auge. O garoto que, tal qual Peter Pan, não queria crescer, era sempre notícia. A morte súbita e inesperada fez dele uma lenda para as próximas gerações. Foi, de fato, o maior artista pop de todos os tempos. Lamento a morte dele.
Deixo aqui a lembrança do clip de Heal the world, um convite para curar o mundo.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Heróis anônimos

23h do dia 24 de junho. Estou na frente do computador, trabalhando. Ouço gritos vindos da rua e imediatamente olho pela janela, do alto do meu quarto andar. Vejo, então, um corpo estendido no chão e uma mulher gritando e gesticulando desesperadamente. Jamais vi alguém tão desesperado. Fico tensa e corro para o telefone. 193 é o número que me vem à lembrança. Não sei se é Corpo de Bombeiros ou SAMU, só sei que é SOCORRO. Disco nervosamente e do outro lado da linha escuto um “clique”. Alguém atendeu, penso. Minha ansiedade me fez dizer “alô” antes da voz feminina que me responde calmamente com um “Corpo de Bombeiros, pois não”. Narro para ela o que vejo de minha varanda e peço ajuda, indicando o local exato do ocorrido. Na verdade, não sei se foi um acidente ou se foram tiros, facadas ou qualquer coisa. Só sei que tem um corpo estendido no chão. Ela me pergunta se o corpo se mexe. Minha miopia não me deixa ver com precisão. Os gritos da mulher desesperada continuam. Sinto minhas pernas tremerem e afirmo para a minha interlocutora que tenho a impressão de que está inerte. Ela registra a ocorrência. Desligo o telefone sem me lembrar das últimas palavras dela. Será que ela acreditou em mim? Afinal, são tantos trotes que eles recebem...

Volto para a varanda e começo a rezar para que o socorro chegue logo. Os gritos desesperados continuam e começa a juntar gente no local. Chega uma viatura da Polícia. Não sei se é Civil ou Militar. Minha miopia, mais uma vez, me confunde. Mas ver a viatura já é um alívio. Começa uma pequena confusão ao redor do corpo estendido e ouço mais gritos da mulher desesperada. “Ele está sangrando!!!”, diz ela. Os policiais levam um homem sem camisa em direção à viatura. Por que terá sido preso? Um binóculo me ajuda a ver melhor, mas não perfeitamente. Vejo também que o homem estendido no chão mexe as pernas. Sinto um certo alívio, mas me pergunto: cadê os Bombeiros??? Nesses momentos, minutos são horas...
23:10h, toca o telefone da minha casa. “Foi daí que fizeram um pedido de socorro?”, questiona a mesma voz feminina. Eu respondo com pressa: SIM. Informo que tem um carro da Polícia no local e que o corpo continua estendido no chão. Ela pergunta meu nome, agradece e diz que o socorro está a caminho. Mais 10 minutos e escuto uma sirene. Alívio: ela acreditou em mim. Primeiro eles avaliam a cena e os feridos. Começam, então, os procedimentos de socorro. Uma mulher é levada para a ambulância dos Bombeiros. Caminha com dificuldade, mas caminha. Nada grave, penso. Mais alguns minutos, chega a SAMU. Alguém deve ter chamado. Eram três feridos, na verdade. A miopia é fogo. Nem binóculo dá jeito.
Começo a ficar mais calma e não perco um detalhe da operação. Vejo o zelo com que os profissionais do Corpo de Bombeiros e do SAMU tratam os feridos e fico emocionada. Tudo é sincronizado. Serviço de qualidade, raro no serviço público. Lembro que um aluno meu atua nesse serviço dos Bombeiros e me questiono: estará ali, socorrendo mais essas vítimas? O homem estendido no chão é imobilizado e levado para a ambulância. Mais alívio para mim. Ele não vai morrer, penso. Em cerca de meia hora os feridos são atendidos e as ambulâncias seguem com suas sirenes ligadas, certamente em direção ao Hospital Geral. O pequeno aglomerado de pessoas aos poucos se desfaz e uma chuva fina começa a cair. Respiro fundo. Acabou. O carro da polícia permanece no meio da rua, com as luzes piscando. Continuo sem saber o que aconteceu ali, mas isso já não importa. Afinal, o socorro chegou.
Sinto-me aliviada por ter proporcionado, ainda que indiretamente, aquele socorro. Pode parecer pretensioso, mas, não sei porque, tenho a convicção de que testemunhar os gritos daquela mulher e ver o corpo estendido no chão antes que outras pessoas o vissem tornou-me responsável por aquelas vidas.
Penso nos profissionais que passam suas madrugadas e seus dias socorrendo pessoas feridas e sinto orgulho deles. Tenho convicção de que são heróis anônimos, escondidos atrás das fardas. São mulheres e homens vocacionados para o socorro, prontos para o próximo desafio. Corajosos como poucos. Volto ao telefone e disco novamente 193. Gostaria de agradecer por terem atendido ao meu pedido e de dizer para eles o quanto admiro o trabalho que desenvolvem. A linha está ocupada. Tento novamente: ocupada. Deve ser outra ocorrência a caminho. Não vou ocupar a linha, penso.
A inquietação não me deixa sossegar. Dormir agora? Impossível. Resolvo escrever estas linhas, registrar o que vivenciei. Fato corriqueiro para alguns, cidadania para mim e para aquelas vítimas. Agora já são 01:18h do dia 25/06. Vou dormir, pois o cansaço me vence, mas sinto que sou um pouco mais cidadã que antes. E isso fica marcado na minha história.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Artigo sobre UFAL em defesa da vida

Transcrevo aqui artigo que escrevi em parceria com minha amiga Ruth Vasconcelos, idealizadora do Programa UFAL em defesa da vida. O artigo foi publicado no jornal Gazeta de Alagoas de ontem (http://gazetaweb.globo.com/v2/gazetadealagoas/texto_completo.php?cod=148586&ass=37&data=2009-06-21)
UFAL em defesa da vida
Ruth Vasconcelos e Elaine Pimentel
O desejo de vivermos em uma sociedade com índices toleráveis de criminalidade coloca a segurança pública em pauta em vários segmentos sociais. Seja no espaço acadêmico ou nas comunidades – notadamente com a iniciativa da CNBB através da Campanha da Fraternidade deste ano – debates sobre violência e criminalidade revelam quão delicada e urgente é a questão.A universidade pública, espaço fértil para a troca de saberes comprometidos com a transformação da realidade social, tem um papel fundamental na difusão de políticas cidadãs que primam pelo diálogo entre o poder público e a sociedade civil.
Atendendo à convocação do Ministério da Justiça, a Ufal, através do Programa “Ufal em defesa da vida” e do Núcleo de Estudos sobre a Violência em Alagoas – Nevial, realizará, no dia 25 de junho, das 8 às 18 horas, no auditório da Reitoria, uma Conferência Livre, preparação para a 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, que ocorrerá em Brasília em agosto próximo. Este é um momento ímpar em nossa história, pois pela primeira vez a sociedade civil tem a oportunidade de lançar propostas para a formulação do Plano Nacional de Segurança Pública. Estamos reunindo esforços para que este seja um momento de rica discussão entre estudantes, professores, funcionários da Ufal e membros da sociedade civil.
Precisamos compreender que o exercício da democracia não se dá apenas através do voto. O diálogo com o poder público é também uma importante forma se fazer presente nas estruturas políticas do Estado, contribuindo para a transformação da realidade em que vivemos.

domingo, 21 de junho de 2009

Poesia de Drummond para o domingo

No meio do caminho
(Carlos Drummond de Andrade)

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Debatendo crime e sistema penitenciário


Hoje pela manhã participei de uma atividade acadêmica muito interessante. A convite de alunas do curso de Serviço Social e Psicologia que fazem estágio no Escritório Modelo da Faculdade de Direito da UFAL, levei algumas reflexões sobre os desafios para a pesquisa na área criminal. Dividi o espaço de debates com o psicólogo Nilo, que atua há mais de 20 anos no sistema penitenciário alagoano. A sua vasta experiência da clínica psicológica no cárcere contribuiu para uma abordagem muito lúcida sobre o tema.
Mais uma vez tive o privilégio de estar diante de pessoas que compatilham os mesmos interesses acadêmicos e profissionais, com o compromisso de levar adiante o debate e de contribuir para a criação de uma cultura de valorização da dignidade humana.
Afirmar que o sistema penitenciário está falido não é novidade. Aliás, isso é pacífico no senso comum. Não há quem afirme com segurança que o modelo que temos hoje, aliado à realidade política com a qual contracenamos, possa garantir que pessoas que passaram pelo cárcere retornem ao convívio social de forma salutar. Lamentavelmente, o panorama do sistema penitenciário, no Brasil, sobretudo hoje, com o aumento dos índices de criminalidade, transfigura-se em verdadeiro depósito de seres humanos que compõem a grande massa de excluídos. O que fazer? A resposta não é simples. Mas pelo menos vejo, como uma "luz no fim do túnel", uma mudança no discurso e nas iniciativas de natureza política. Antes, a importação do modelo norte-americano "tolerância zero" era a tônica das políticas de segurança pública. Hoje, já se fala em inclusão pela cidadania como a saída - a longo prazo - mais adequada. Contribuindo para formar cidadãos, a sociedade civil e o Estado certamente previnirão o crime com mais eficácia. Assim, não precisaremos mais de tantas prisões.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Ainda sobre os Cursos de Inverno da UFAL

Muitas pessoas me pediram mais informações sobre os Cursos de Inverno da UFAL. Lá vai:
- Qualquer pessoa pode matricular-se nos cursos (independente de ser aluno da UFAL).
- Os cursos são GRATUITOS!!!
- Os cursos têm carga horária de 20 ou 40 horas, o que corresponde a cursos de 1 ou 2 semanas.
- As inscrições só podem ser feitas pessoalmente, na PROEX.
- As vagas são limitadas. Portanto, interessados, inscrevam-se!

sábado, 13 de junho de 2009

Cursos de Inverno na UFAL

As férias do meio do ano podem ser bem agitadas na Ufal. A partir de segunda-feira, dia 15/06, estarão abertas as inscrições para os Cursos de Inverno. Transcrevo aqui as informações publicadas pela Pró-Reitoria de Extensão - PROEX:
"Depois do grande êxito dos Cursos de Verão, a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de Alagoas, apresenta os Cursos de Inverno. Uma série de atividades que pretende movimentar o Campus A. C. Simões e o Espaço Cultural Salomão de Barros Lima no período de 13 a 24 de julho de 2009.

Segundo o coordenador de extensão da Ufal, José Roberto Santos, a ação faz parte do planejamento anual de tarefas desenvolvidas pela Proex. “São cursos de grande demanda social e uma oportunidade para acadêmicos e comunidade em geral integrarem-se, formando uma excelente troca de saberes”, afirmou.

O número de cursos oferecidos aumentou em relação ao projeto anterior. Agora são 1340 vagas distribuídas em 25 cursos. São eles: Maquete eletrônica Sketchup ; Cuidadores de criança; Web Design; Br Office 3.0 (Editor de Texto, Planilha e Apresentação); Internet e Informática Básica com Ferramentas Livres; Geoprocessamento Terra View; Economia para não economista; Economia Popular; Empreendedorismo; Filosofia Latino- Americana; Desenho a mão livre; Educação em Direitos Humanos; Acessibilidade e Cidadania; Introdução ao Violão Clássico; Elaboração de Projetos Culturais; Disseminadores da Cidadania; Dança Contemporânea; Um Olhar Filosófico Sobre o Meio Ambiente; Introdução ao Paisagismo; Introdução à Redação; Introdução à Língua Inglesa; Orçamento Familiar; Gerenciamento de Resíduos com oficina de fabricação de Sabão e Básico de Fotografia.

As inscrições estarão abertas a partir de segunda-feira (15), na secretaria da Pró-Reitoria de Extensão da Ufal, localizada no prédio da Reitoria, no campus A. C. Simões e só poderão ser feitas de forma presencial. Serão emitidos certificados para carga horária flexível. Mais informações pelo número: 3214-1134".

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Aos que amam...





Hoje é comemorado o Dia dos Namorados. No Brasil, o fundamento talvez seja a véspera do Dia de Santo Antônio, casamenteiro, segundo as tradições. Diz uma amiga minha que o santo casamenteiro, na verdade, seria São José, Pai de Jesus, cabeça da Sagrada Família. Se isso for verdade (a boa e velha "verdade"), deve ter muita gente rezando para o santo errado...
De toda forma, o Dia dos Namorados acaba respondendo a certo apelo comercial. Na televisão, nas vitrines, em todos os lugares, não se deixa de romantizar a data. Mas há uma regra que não falha (Popper não gostaria de ouvir uma afirmação dessa natureza...): homens não se lembram e as mulheres não se esquecem dos presentinhos do Dia dos Namorados.
Se a concepção filosófica do amor celebrado nesta data não fosse restrita ao sentido eros, mas, ao contrário, ampliada ao amor philia, o dia 12 de junho teria um significado mais amplo: AMIZADE. Assim, seria minimizada a compulsoriedade do amor eros, típica da modernidade que transformou tudo em mercadoria, inclusive o amor.
Para o dia de hoje, compartilho com meus leitores uma poesia de Cora Coralina (foto acima) que trata do amor pela vida. É preciso, sim, enamorar-se pela vida, cultivá-la, recriá-la a cada dia. Não adianta criar regras para o amor. A regra, nesse caso, é não ter regras.



CORA CORALINA

Não te deixes destruir...

Juntando novas pedras e construindo novos poemas.

Recria tua vida, sempre, sempre.

Remove pedras e planta roseiras e faz doces.

Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha um poema.
E viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

A tal regra do impedimento

Jogo BRASIL X PARAGUAI

Eu: Como é mesmo a tal regra do impedimento?
M: Eu já te expliquei várias vezes...
Eu: Eu sei, mas é que eu não assimilei bem...
M: O jogador está impedido quando, numa jogada, etc etc etc. Entendeu?
Eu: Agora entendi!
M: Então me explique o que é o impedimento.
Eu: Hã?
No carro
Eu: O cara do posto de gasolina disse que o óleo do meu carro está baixo. Você confere para mim?
M: Sim. E aproveito para te ensinar como se verifica o óleo.
Eu: Tá!
(...)
M: Aprendeu como se verifica o nível do óleo?
Eu: Sim... É mais fácil que a regra do impedimento!!!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Ufal em defesa da vida - Terceiro Ato


Estão abertas as inscrições para o Terceiro Ato do programa Ufal em defesa da vida. Desta vez serão conferências livres, organizadas pelo Núcleo de Estudos sobre a Violência em Alagoas - NEVIAL, que apontarão propostas para a 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, que acontecerá em Brasília, entre os dias 27 e 30 de agosto deste ano.

Esta será mais uma oportunidade para que discentes, docentes, técnicos da Ufal e todos os interessados da sociedade civil participem ativamente nas discussões que envolvem políticas concretas de valorização de vida, da inclusão social e da cidadania. As atividades do Terceiro Ato acontecerão no dia 25/06 (manhã e tarde).

Mais informações, Texto-base e ficha de inscrição AQUI.

domingo, 7 de junho de 2009

Crônica de Sofia

Nesta cinzenta (e bela) manhã de domingo, trago aqui um escrito de Sofia, querida ex-aluna do curso de Direito da UFAL (minha monitora de Filosofia do Direito), talentosa escritora de contos e crônicas. Sofia gentilmente cedeu este texto (pra lá de existencialista...) para que eu o publicasse aqui. Bom domingo!
DESAPEGO
São desapegos disfarçados de palavras que destroem os detalhes, as partes do todo que por vezes não se sentem juntas, não se sentem unas.
Desapegos projetados em futuro não são planos, são esperanças estranhas que contrariam o sentido de prever o que ainda vem.
São distâncias, de fato, conservadas pelo limite do diálogo e pela indiferença da resposta. O momento que fora soberano e que no presente, encontra-se dividido em mil pedaços importantes, roubando, assim, a totalidade do agora.
Desapego não se junta com o quente, na verdade, desapego é frio, sem incômodos nem reclamações, porque, afinal, nunca se aproxima, nunca se atinge.
Talvez seja uma forma de olhar mais pra dentro e esquecer o que circunda a volta. É, quem sabe seja isso, só não diga que é cansaço, porque não é fadiga, é ausência de vontade, é desapego e só.
Madalena Sofia
18.05.09

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Um mundo melhor?

Hoje é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente. De todas as mensagens que recebi sobre o tema, esta foi a que mais me sensibilizou:

"Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"
Vamos pensar nisso...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

A crueldade da dúvida







O misterioso desaparecimento do Airbus A330, da Air France, no Oceano Atlântico é a principal notícia da semana em todos os meios de comunicação de massa. As buscas continuam, aparecem os primeiros prováveis destroços, mas até agora ninguém pode afirmar, categoricamente, que aqueles destroços são do avião desaparecido. O local do suposto acidente torna a situação ainda mais delicada: no meio de águas profundas, com correntes marítimas fortíssimas e, ainda, com a possibilidade de que o avião tenha afundado. O governo francês admitiu, logo no segundo dia, que não havia esperanças de encontrar sobreviventes. No entanto, como não foi resgatado um corpo sequer, não se pode, ainda, afirmar a morte dessas pessoas. Uma tragédia, de fato.

Fico a pensar na situação dos familiares dos passageiros diante dessa dúvida. Ontem, os jornais noticiaram que os familiares brasileiros foram comunicados da chegada de um bote salva-vidas com prováveis sobreviventes na ilha de Fernando de Noronha. Comoção total, abraços, lágrimas... Alarme falso. Não havia botes, não havia sobreviventes. Frustração, desespero e dor. E se os corpos jamais forem encontrados? Como assimilar essas perdas? Será que viverão sempre na esperança de que seus familiares estejam perdidos em algum lugar no vasto Oceano Atlântico?


Essa situação me lembrou o filme A troca, protagonizado por Angelina Jolie. (Advinha quem é o diretor? Isso mesmo: Clint Eastwood!) No filme, a mãe busca desesperadamente seu filho desaparecido. A polícia apresenta uma criança, afirmando ser o filho desaparecido, mas a Mãe sabe que aquele não é o seu filho. Não vou contar detalhes da trama, mas enfatizo aqui a crueldade da dúvida. Mesmo quando as circunstâncias levam a crer que a pessoa desaparecida já está morta, há sempre um pouco de esperança de que, a qualquer momento, ela possa retornar.
Lembro desse filme quando vejo notícias sobre o desaparecimento do avião da Air France. Se é trágico perder parentes e amigos queridos em um acidente aéreo, mais cruel ainda deve ser não ter certeza da morte. Como será o luto para essas pessoas? Cessará um dia? Gostaria de ouvir a opinião das minhas amigas psicanalistas sobre isso...



terça-feira, 2 de junho de 2009

Sobre dons e aptidões no Direito

O contato cotidiano com alunos de graduação, formandos e recém-formados, da área jurídica, tem sido muito enriquecedora na minha vida, por uma série de fatores. Quem vive o cotidiano da Academia e se encanta com a pluralidade de olhares e possibilidades na produção do conhecimento sabe do que estou falando.
No entanto, ao mesmo tempo em que tenho visto muitas pessoas interessantes, engajadas em projetos voltados para o social e compromissadas com a ética e a justiça, deparo-me com estudantes que têm uma única perspectiva na vida: passar em um concurso, qualquer que seja! Dons, aptidões, afinidades, para eles, são cartas fora do baralho. O que importa é a estabilidade financeira. Absurdamente, essas pessoas se autodenominam CONCURSEIROS!
Em que pese ser a estabilidade um fator importante, sobretudo no panorama econômico de hoje, penso que não pode ser ela a centralidade das escolhas profissionais no campo do Direito. Quando isso acontece, o resultado é uma legião de frustrados, com estabilidade e dinheiro no bolso. Ainda assim, FRUSTRADOS.
As profissões jurídicas são muito diferentes. Atuar na magistratura, no Ministério Público ou na Defensoria Pública, só para citar esses, significa estar diantes de formas distintas de contato com a prática jurídica. Como ser Defensor Público, por exemplo, quando não se tem qualquer vocação e tato para lidar com pessoas humildes? Como ser juiz, se não consegue lidar com suas paixões diante de uma decisão que, em tese, deve ser imparcial? Eu poderia fazer uma série de perguntas dessa natureza, mas penso que esses exemplos são suficientes para ilustrar o que percebo hoje em dia. A procura por concursos (qualquer um!) é tão presente no cotidiano dos estudantes, que algumas faculdades chegam a elaborar avaliações e provas de acordo com as tendências dos concursos. Ao invés de formar juristas, essas faculdades formam concurseiros.
Não estou negando a importância dos concursos públicos. Ao contrário, penso que para aqueles que não se identificam com a advocacia (tão vocacionada quanto o magistério na área jurídica, na minha opinião) é natural a busca por um emprego público. O que questiono, aqui, é a ausência de qualquer afinidade dos futuros profissionais com os cargos que ocuparão. Não vejo uma preocupação em construir uma relação de identidade com o papel que desempenharão na imensa rede de profissões jurídicas. A ausência dessa identidade acarreta no panorama que temos hoje: profissionais tecnicamente preparados, mas pouco compromissados com a essência do cargo que ocupam. São concursados, mas não são profissionais, pois não trazem consigo a consciência do seu papel social.
Entendo que a escolha de uma profissão é parte essencial na vida de uma pessoa. É tão importante quanto a realização pessoal. Tudo isso, porém, não tem regras. Cada um sabe a medida da sua felicidade. Por isso, é preciso encantar-se com a profissão que se busca, conhecê-la bem e, se for o caso, estabelecer uma verdadeira aliança com ela. Parece um casamento, não? É mais ou menos isso: pode até haver o divórcio mais adiante, mas casa-se com o desejo de que dure para sempre.

domingo, 31 de maio de 2009

Fuga de Alcatraz


A Ilha de Alcatraz é localizada na cidade de San Francisco, na Califórnia, EUA. Inicialmente (1850 a 1930), a ilha era uma base militar, mas em 1934 foi convertida em prisão de segurança máxima, destinada a presos de altíssima periculosidade, como o famoso Al Capone. A prisão recebeu o mesmo nome da Ilha, mas também era conhecida como "A rocha". Assim como o Titanic era o navio que nem Deus poderia afundar (!), Alcatraz era a prisão da qual ninguém jamais conseguiria fugir. Assim como o Titanic afundou por conta de uma colisão com um iceberg, a segurança de Alcatraz foi violada pela fuga do assaltante de bancos Frank Morris, em 11 de junho de 1962.
Morris (foto ao lado) fez história e sua façanha foi um prato cheio para Hollywood, que produziu o filme Fuga de Alcatraz, protagonizado por Clint Eastwood. Neste final de semana assisti o filme pela segunda vez (depois de uns 10 anos...). Há tempos queria comprar o DVD original para compor a minha videoteca (Só compro DVDs originais e não abro mão disso). Quando o vi, na semana passada, adormecido nas prateleiras da livraria Saraiva, em Recife, tomei um agradável susto e imediatamente minha videoteca ficou mais rica. Aliás, minha intenção é ter todos os filmes de Clint Eastwood. Minha admiração pelo ator americano não vem de hoje. Considero um dos artistas mais completos de Hollywood, já que além de ator é cineasta, produtor e compositor.
Fica aqui a minha recomendação de um filme que, além de muito interessante pela fantástica atuação de Clint Eastwood, nos leva à famigerada prisão de Alcatraz e ao tratamento extremamente frio de uma prisão que, como afirma o seu diretor, em uma das primeiras cenas: "Não fabrica homens, fabrica presos".

sexta-feira, 29 de maio de 2009

E os juristas?

Meu texto sobre sociólogos em antropólogos suscitou questionamentos sobre a felicidade dos juristas. Cá estou eu, expondo estas mal-traçadas linhas. Antes de tudo, gostaria de ressaltar que, se isto aqui fosse um interrogatório, no melhor estilo inquisitorial, a pergunta teria como resposta um belo PREJUDICADO, pois juristas não gostam de apontar identidades entre o que pesquisam ou escrevem com suas próprias histórias de vida. Mas como se trata de um texto que tem por propósito gerar interrogações, sinto-me motivada em ir adiante.

O primeiro pressuposto é a dificuldade de se comparar juristas e cientistas sociais, pois Direito e Ciências Sociais são incomparáveis pelo próprio objeto. Enquanto cientistas sociais lidam com a realidade social, juristas lidam com normas jurídicas. A criação de uma cultura normativa exclusivista separou os juristas da realidade social e isso foi obra dos próprios pensadores do Direito inspirados no mais rígido positivismo. Metodologicamente, tendem a trabalhar na perspectiva do DEVER-SER e distanciam-se da realidade. Esse plano do SER, tão complexo e plural, deve-se amoldar ao DEVER-SER. Esquecem os positivistas que isso, não raro, é impossível... Como reconhece o próprio Comte, o tal patamar positivo do conhecimento - que pretende ir além do teológico e o metafísico - não se aplica às Ciências Sociais porque a complexidade social não permite a percepção da realidade a partir de regras como faz com as Ciências Naturais. O positivismo tem limites quando tem por objeto a dinâmica social.

Penso que essa separação entre juristas e Cientistas Sociais não tem razão de ser. Na verdade, o Direito é, originariamente, uma Ciência Social Aplicada, assim como o Serviço Social, por exemplo. A cultura normativista, porém, delineou o que se conhece por Ciência Jurídica e passou a tratar disciplinas como Sociologia, Antropologia, Ciência Política e até a Filosofia como "auxiliares" ao Direito. Por isso, quando o pesquisador do Direito trabalha numa perspectiva menos normativa, corre o risco de receber a seguinte sentença: "Isso não é Direito".

A visão normativa empedernida não dialoga com pesquisas de campo, nem tampouco com a participação dos atores sociais na produção do conhecimento. "Entrevista como recurso metodológico? Não... Como saberemos se é verdade o que falam as pessoas?". A verdade está, para eles, na norma!!! (Escreverei aqui sobre essa questão da verdade, algum dia...) Essa é uma perspectiva hegemônica do Direito, mas não é a única. Autores como Norberto Bobbio e Boaventura de Souza Santos apresentam uma visão mais aberta sobre a relação do Direito com as Ciências Sociais mais tradicionais. "Conhecimento prudente para uma vida decente" é uma das afirmações de Boaventura, no texto "Um discurso sobre as ciências". DEVER-SER sem uma ligação estreita com o SER é utopia. E injustiça, diga-se de passagem. É preciso agregar o senso comum ao conhecimento científico, inclusive jurídico. É preciso dar vida e voz aos sujeitos. A negação da subjetividade (não de subjetivismos) em Direito é tão forte, que até a linguagem impessoal é a marca dos textos jurídicos. "Sabe-se", "É cediço", "Observa-se"... esse é um sintoma de que alguns juristas se afastam do seu objeto, acreditando haver a tal neutralidade axiológica na produção do conhecimento.

Acredito que a pesquisa jurídica tem papel fundamental na humanização do próprio Direito. Mas para tanto, precisa se apropriar da realidade social, reconhecendo que as Ciências Sociais não são meras auxiliares, mas sim pressuposto do pensamento jurídico. Para mim, somente essa pespectiva faz sentido.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Sobre o Segundo Ato




Acabo de chegar do Segundo Ato do programa UFAL em defesa da vida. Foi uma manhã de debates muito importantes, com a presença de estudantes, professores, representantes de instituições do Estado e da sociedade civil, como polícias, sindicatos, movimentos pela paz. As palestras do Dr. Pedro Montenegro (Coordenador do Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura da Secretaria Nacional de Direitos Humanos) do Dr. Manoel Cavalcante (Presidente do Conselho Estadual de Segurança Pública de Alagoas, Professor da Faculdade de Direito da UFAL e Juiz de Direito) enfatizaram os dados da violência, das apurações de crimes nas delegacias e dos julgamentos dos acusados, revelando a inquietante cifra de 3 apurações em cada 100 homicídios em Alagoas!!! Uma coisa que ficou bem clara foi a precariedade em cadeia no trato da segurança pública. Polícias, Ministério Público, Judiciário e Executivo, em especial através da improvisação que marca do sistema penitenciário. Também foram enfrentadas questões como a unificação das polícias, o desvio de função da Polícia Militar para fazer a segurança de autoridades do Legislativo, Executivo, Judiciário e Ministério Público, além da militarização - equivocada, em minha percepção - do sistema penitenciário alagoano.
Ao final, a Professora Ruth Vasconcelos, idealizadora do programa Ufal em defesa da vida comandou mais um ato simbólico para representar a violência em Alagoas: foi inaugurado um painel que marcará, mês a mês, o número de homicídios em Alagoas. O intuito não é gerar susto ou pânico, mas sensibilizar as pessoas, demonstrando que ali há mais do que cifras. São vidas. Nesse sentido, foram acesas velas para representar o número de mortes violentas ocorridas em Alagoas no primeiro semestre de 2009: mais de 450!
Não posso perder a oportunidade de comentar a apatia de alunos e professores da UFAL. Ouso fazer essa afirmação através das ausências que senti no evento. Pelo menos fiquei feliz em ver meia dúzia de queridos alunos do curso de Direito participando ativamente do Ato.
Aguardamos, então, as recomendações da PROEST, através da querida Ruth Vasconcelos, para o Terceiro Ato, no mês de junho!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Ufal em defesa da vida - Segundo Ato


Amanhã acontecerá o segundo Ato do programa Ufal em defesa da vida. Será mais um momento para debates e esclarecimentos. Estarei lá! Transcrevo, na íntegra, o convite feito pela Pró-Reitoria Estudantil - PROEST:
Caros(as) Colegas, Estamos enviando, em anexo, a programação de mais um evento referente ao Programa UFAL EM DEFESA DA VIDA. Realizaremos uma Mesa Redonda com o Tema: "Violência e Segurança Pública em Alagoas: desafios e possibilidades". Esta Mesa-Redonda acontecerá no dia 28 de maio, às 9hs, no Auditório da Reitoria. Os palestrantes serão: Pedro Montenegro (Coordenador do Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos) e Manuel Cavalcante (Presidente do Conselho Estadual de Segurança Pública/AL) . Solicitamos que divulguem com os(as) estudantes, professores(as), funcionários(as) e todas as pessoas que estejam interessadas em contribuir com atividades políticas em DEFESA DA VIDA. A Pró-Reitoria Estudantil conta com a sua colaboração, divulgando o evento e participando das discussões provocadas por este ATO.
Atenciosamente,
Pedro Nelson Bonfim Gomes Ribeiro
Pró-Reitor Estudantil
Ruth Vasconcelos
Coord. de Política Estudantil
Fátima Albuquerque
Coord. Ações Acadêmicas

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Diário de campo

Os antropólogos têm uma forma muito especial de lidar com seus objetos de estudo. Comprometidos em estreitar o contato com as comunidades que pesquisam, mergulham no cotidiano das pessoas, observam e vivenciam rituais e práticas. Por isso, implicam-se facilmente na formulação das conclusões a que chegam, sem qualquer temor do uso da primeira pessoa do singular em seus textos. Dentre as várias técnicas de pesquisa que utilizam, a observação parece ser uma das mais importantes, pois permite que a percepção do pesquisador, agregada a todos os elementos culturais que o compõem, seja mediadora de uma leitura particular daquela realidade. Por isso, um dos instrumentos fundamentais do antropólogo é o caderno de campo. Ali, ele tem a possibilidade de narrar as experiências vividas na pesquisa de campo, registrando cada fato observando, bem como impressões e sensações que aquilo causou nele. As narrativas de um antropólogo costumam ser iniciadas com a descrição da relação existente entre ele e o tema que pesquisa. Por que aquilo despertou o seu interesse? Como você está inserido no contexto da comunidade que pesquisa? Que elementos identitários o levam a pesquisar esse tema? As respostas a esses questionamentos podem estar presentes no produto final da pesquisa - Dissertação ou Tese, por exemplo - , mas certamente compõem, por si só, um texto bem interessante.
Uma amiga minha, pesquisadora da Paraíba, costuma dizer que os antropólogos são mais felizes que os sociólogos. Sempre achei essa afirmação muito curiosa. A justificativa é que a Sociologia tem um apego maior a teorias e epistemologias que, segundo ela, tendem a engessar o pesquisador. Contrariamente, a falta de apego a orientações teóricas quase matemáticas levam antropólgos a manter uma relação mais leve com seu objeto de pesquisa. A "felicidade", portanto, é uma consequência da postura da pesquisador, intrinsecamente ligada a sua postura diante da própria vida. Esse tipo de perspectiva causaria espanto em qualquer defensor da neutralidade axiológica na ciência. Essa suposta neutralidade, diga-se de passagem, é uma das maiores falácias que a humanidade já criou (escreverei sobre isso em outra oportunidade).
É curioso notar que a os sociólogos já começam a se apropriar (no melhor sentido da expressão) dessas práticas de pesquisa que os antropólogos há tanto tempo utilizam. As barreiras metodológicas entre Sociologia e Antropologia tendem a diminuir, de modo que haja maior integração no uso de técnicas de pesquisa. Posso testemunhar isso através da pesquisa que estou desenvolvendo para o Doutorado, cujo objeto são mulheres que cumpriram pena em regime fechado no Estabelecimento Prisional Feminino Santa Luzia, em Maceió. Depois de selecioná-las a partir da análise dos prontuários (em andamento), tentarei entrevistar as ex-presidiárias em seus próprios ambientes domésticos e de trabalho (a esse respeito, já me deram uma série de conselhos, já me recomendaram cuidado, já me mandaram rezar!). Mas estou otimista. Acho que será uma experiência inesquecível, como já está sendo o próprio contato com o sistema de catalogação, identificação e anotação da vida carcerária das presidiárias, nos órgãos administrativos do Sistema Penitenciário Alagoano, onde desenvolvo a pesquisa. Com meu diário de campo em mãos, faço anotações desde o primeiro dia da pesquisa de campo. Ali registro fatos, diálogos, impressões e sentimentos que vivencio durante em campo. Daqui para o fim da pesquisa terei, certamente, vários caderninhos preenchidos (já que escrever é comigo mesmo!). Ao término da redação da Tese, terei um texto paralelo sobre os bastidores da pesquisa. Alguns dados e fatos poderão estar presentes no texto final da Tese. Outros, de jeito nenhum! Quem sabe meu diário de campo não terá um destino mais interessante ainda?