terça-feira, 29 de julho de 2008

Vicissitudes da vida acadêmica

Toda profissão tem seus encantos e peculiaridades. A opção pela vida acadêmica, em particular, leva ao mergulho em um mundo muito interessante, de debates e diálogos, de enfrentamentos e exposições. Em outras palavras, é um constante "dar a cara a tapas". Nesse universo é possível conhecer as chamadas "variações sobre o mesmo tema" (isso me lembra uma música dos Engenheiros do Hawaii...), ou seja, perceber que há olhares distintos sobre o mesmo objeto. Aqui se encaixa a metáfora da "perspectiva", conceito tão presente entre os arquitetos e os desenhistas. O meu ponto de vista não tem que ser (e nem pode ser) absolutamente igual ao seu. E isso torna a vida muito mais interessante. Por outro lado, a possibilidade de diálogo com outras áreas do conhecimento permite uma compreensão global daquilo que se estuda. Ciências sociais, humanas e exatas se entrelaçam constantemente, de forma a justificar a naturza dialética do conhecimento. Mas a vida acadêmica tem um outro outro lado: a solidão. Não é fácil lidar com a solidão de uma pesquisa, que pressupõe horas e horas de leitura, compilação de dados e redação. É claro que se trata de uma solidão diferente, já que, paradoxalmente, o pesquisador está muito bem acompanhado. Afinal, livros são excelentes companheiros. O fato é que o período de solidão acadêmica é bastante salutar e o seu resultado - a pesquisa finalizada - é algo muito especial para o pesquisador. Assim aconteceu com o meu Mestrado. Espero que a solidão do Doutorado desemboque no mesmo mar.

4 comentários:

Raquel Pedrosa disse...

Cunhada... aqui estou eu novamente para deixar boas vindas ao mundo do blog!
espero que seja um espaço de crescimento e criatividade.
adicionei você na minha lista de blogs ;)

Elaine Pimentel disse...

Valeu, Kel! Adicionei o seu blog na minha listinha também! Vou ficar por dentro de tudo o que se passa em Portugal!

MadahSofia disse...

Sabe Elaine, muitas vezes na solidão acadêmica de quem passa algumas horas sobre o livro aberto, surge uma frase, uma idéia qualquer diante do texto, que a vontade primeira é responder ao autor, tentar explica-lo ou até mesmo discordar de tudo, como se ele pudesse escutar nossos argumentos.
Acho que os livros proporcionam isso. Mas aí a gente vê que está sozinho, na solidão acadêmica. Que apesar de ambos (nós e o livro) termos argumentos, idéias, frases e palavras, só um consegue de fato apreender tudo que o outro oferece, e quanto a isso, a vantagem, é nossa.

Adriano Soares da Costa disse...

Elaine, prazer vê-la aqui, dialogando com o mundo. A pesquisa, penso eu, não gera solidão; aventurar-se na intimidade de um livro é ingressar em um diálogo com o escritor, as citações de outros e com Eu, que nos fala a nós mesmos, no processo de reflexão. É aquilo que Gadamer chama de fusão de horizontes, que faz a inflexão do passado, presente e futuro. O estudo, penso, é dialógico; debatemos conosco e com o texto que se põe diante de nós, nos chamando à reflexão. Você, Elaine, sempre foi uma pessoa maravilhosamente linda. Continue esse diálogo; de quando em quando venho aqui para lhe dizer oi.