
Estou levando o meu blog para um caminho mais literário, poético, lírico, onírico... Deve ser influência do blog do meu irmão Humberto, que recebe o curioso nome de Domingo à noite. Dono de uma criatividade ímpar, o Beto tem o poder de arrancar muitas risadas dos leitores e de nos colocar, ao mesmo tempo, diante de algumas reflexões interessantes. Por isso os leitores tornam-se assíduos e deixam sempre comentários curiosos. A proposta dele é não falar nada muito sério. Sobre isso, inclusive, escreveu um post um tanto filosófico, de um existencialismo bem sartreano, que vale a pena conferir: Em busca da minha voz.
MDA...(Mudando de assunto...) Hoje, em um determinado momento do dia, precisei da companhia de Fernando Pessoa para uma certa argumentação. Caiu como uma luva:
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


