domingo, 24 de agosto de 2008

Na natureza selvagem


Quando li a sinopse do filme Na natureza selvagem, dirigido por Sean Penn, não sabia que a narrativa era muito mais intensa do que aquilo que se apresentava no texto. O filme conta a aventura de Alex, filho de uma tradicional família americana de classe média, rumo a uma vida errante e solitária, que tem como destino final o Alasca. Mais do que o relato de alguém que abandona a vida de conforto para viver solto no mundo, a história de Alex representa o mergulho em uma introspecção que supostamente o levaria à felicidade. Não, não vou estragar o prazer dos meus queridos leitores e contar o final do filme, mas deixo registrada aqui uma das frases mais fortes do filme: "A felicidade só é real quando compartilhada". A grande surpresa do filme? Saber que foi baseado em fatos reais. Eu ia bem, segurando as lágrimas (logo eu, uma chorona assumida), até o final dramático da história, mas ver a foto do verdadeiro Alex foi demais para mim. Um filme muito bonito, mas que requer bom fôlego. Recomendo!

4 comentários:

Mário disse...

Não vi o filme, mas - já faz um bom tempo - li o livro de Jon Krakauer que trata da aventura inconsequente de Chistopher MacCandless (o "Alex"). Fã das histórias do escritor americano Jack London (Caninos Brancos, O Chamado da Floresta), esse jovem se iludiu com o mito da "mãe-natureza", abandonou a família e se embrenhou no mato. Que lições tirar dessa história? Por que ele se lançou nessa empreitada? Pelo que me lembro, era um jovem cheio de imaginação. Talvez tenha se deixado levar por devaneios e ilusões. Procurou a felicidade e um sentindo para a vida onde eles não poderiam ser encontrados.

Elaine Pimentel disse...

Mário, saí do filme com a certeza de que deveria haver um livro. Seu comentário já me sugere que o livro é bom mesmo. Penso que a busca pela ilusão da felicidade cristalina povoa o imaginário de muitas pessoas. Tudo bem que ninguém precisa gostar ou cultuar o sofrimento, mas é preciso reconhecer que ele faz parte da vida.

Sérgio Coutinho disse...

Que feliz coincidência ler teu blog poucas horas após assistir ao mesmo filme! É interessante, e me incomodava durante o filme, como essa conclusão sobre a felicidade ser partilhada estar ao alcance dele de forma intensa por tantas vezes mas apenas dar atenção quando não estava mais "alone" mas "lonely" (sabemos como essa sutil mudança se perde em português mas como é importante em inglês) como o próprio Supertramp escreveu no diário. A busca obssessiva pelo Alasca sem qualquer razão para largar momentos de felicidade com tantos amigos sustenta as ilusões, bem como o abandono a cada um que presta solidariedade à luta mesmo discordando. Lembrei da caverna platônica, pois a sombra do Alasca dava uma ilusão de liberdade enquanto o próprio Alasca apenas o aprisionou. A propósito, ô homem de sorte pois sem tantos dando suporte é duvidável que chegasse a um terço do trajeto. Abraço!

Elaine Pimentel disse...

Serginho, sua análise sobre o filme foi perfeita!