quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A arte de escrever




Depois de uma pausa involuntária, mas necessária, estou de volta, cheia de idéias para os meus posts diários. Escrever todos os dias é um desafio, ainda que não sejam textos complexos ou muito extensos. Penso que escrever por obrigação é algo muito chato e imagino a pressão que recai sobre jornalistas e colunistas de publicações diárias, obrigados a criar bons textos todos os dias, mesmo quando a inspiração não está por perto. Por outro lado, talvez seja esse mesmo o "tempero da coisa" para esses profissionais: matar um leão diariamente. Como escrever para um blog não é a mesma coisa que escrever para um jornal, não me sinto pressionada. Pelo contrário, é sempre um prazer parar um pouco e rabiscar umas linhas sobre algo que me interessa. Tenho muitos textos escritos, sobre temas diversos. Além dos trabalhos acadêmicos, pautados pelos rigores metodológicos necessários para a cientificidade dos artigos (e esses normalmente são publicados em revistas acadêmicas indexadas), guardo em meus arquivos outros textos que escrevi sem qualquer propósito de publicação. São textos para mim mesma, nos quais tento colocar no lugar algumas idéias que vêm e vão em insights esporádicos. Os temas? Os mais variados, sobre a vida e o mundo. Também já tentei escrever poesias, mas é uma coisa que não dá certo. É que a poesia tem sempre uma carga emocional muito intensa (a depender do tema, claro), que me impede de escrever por escrever. Aliás, quero crer que os poetas escrevem o que realmente sentem. Seria terrível pensar que Florbela Espanca, por exemplo, não sentia de fato aquilo que falava em seus poemas. Impossível: sua biografia revela uma relação direta de seus escritos com o que vivia. Mas sei que nem sempre é assim. Seja como for, o texto sempre revela um pouco de quem o escreve e, assim, imortaliza seu autor.

4 comentários:

Nadja Marinho disse...

Esse não poderia deixar de comentar: conseguistes traduzir em palavras o que é manter um blog.
É mais ou menos essa a "dor", por conta da obrigação no sentido mais pesado da palavra, que tenho ao levantar pela manhã e pensar sobre o quê que irei escrever hoje.
Gostei de ter me visto aqui (risos).

Bom dia Professora
=D

Elaine Pimentel disse...

É, Nadja, a metáfora da dor cabe muito bem aqui. É como a dor da luz do Mito da Caverna. Mas, se toda dor do mundo fosse desse tipo, a vida seria mais feliz! Bom dia para você também!

n disse...

"Matar um leão por dia", quando comecei o blogger de Caio tinha prazer em fazer-lo, mas depois a cobrança foi grande e como sou perfeccionista não queria colocar lá qualquer coisa, terminei sendo comida pelo leão... Tentei voltar algumas vezes, mas agora o tempo está sendo meu maior inimigo.
Nadine me apresentou Florbela, lindas poesias feitas com uma carga sentimental enorme e um triste fim.
Continuo aqui acompanhando seu blogger.
Bjossss Karine

Elaine Pimentel disse...

Pois é, Kari, o leão também anda me rondando...Estou cheia de atividades e nem sempre posso parar para escrever. Já estou repensando a idéia de escrever diariamente. Vou escrever sempre que for possível. Se conseguir tempo para fazê-lo todos os dias, ótimo, mas quero primar pela qualidade e não pela quantidade.

Quanto à Florbela...triste fim para uma pessoa que é a prórpia tradução do sentimento. Fica aí uma obra linda de presente para outras gerações. Beijão!